Rede Social

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Eleições 2010: a nova Marcha da família com Deus pela liberdade, agora com mouse.


De 1964 a 2010 passaram-se 46 anos. Quanta mudança de lá para cá: comportamental, social, tecnológica, enfim. É difícil pensar a vida hoje sem celular, computador, banda larga, controle remoto etc e tal. A mulher ganhou de vez o mercado de trabalho e hoje cada vez mais ocupa postos de alto comando nas empresas brasileiras e mundiais, fato pouco provável há cinquenta anos. O ganhador do prêmio Nobel de medicina deste ano é Robert G. Edwards, pelo desenvolvimento da Fertilização 'in vitro'.

A despeito das significativas mudanças e do progresso eminente, há coisas, porém, que dificilmente mudam. Tal é o caso do conservadorismo de parte da sociedade brasileira, a qual, ora dá sinais de avanço, para em seguida deixar evidente todo seu moralismo introjetado, muitas vezes travestido de hipocrisia.

Em 1964, a marcha da família com Deus pela liberdade conclamada pela Igreja, por algumas entidades tais como a União cívica feminina; Camde (campanha da mulher pela democracia) e alavancada pelo deputado Antônio Bueno com apoio do governador de SP, Ademar de Barros, contou com a participação de cerca de trezentas mil pessoas.


O objetivo último era a derrubada do então presidente João Goulart (Jango), por suas supostas ligações com o comunismo. As manchetes dos jornais da grande imprensa insistiam no fato de que a sociedade clamava pela intervenção dos militares na substituição do governante. Nas páginas iniciais do jornal ‘O globo’ de 19 de março de 64, noticiava-se: “senhoras do Jardim Botânico reclamam...militares, o que vocês estão esperando, que o Stalin venha sentar-se em Brasília?”

Deu no que deu. Sabemos que os governos militares, travestidos de guardiões dos interesses da sociedade brasileira, destituíram o presidente da República, afastando, assim, o suposto ‘perigo vermelho ameaçador’, e, apesar do alardeado caráter provisório do ato, lá permaneceram por longos 20 anos de nossa História política Republicana, parte significativa dos quais, é bom lembrar, de suspensão das garantias constitucionais do cidadão brasileiro.


Assim, quase 50 anos depois, a marcha da família com Deus está de volta. Agora não mais para derrubar presidente e sim para eleger o seu. Numa acusação alardeada pros quatro cantos de que a candidata Dilma Roussef seria favorável ao aborto, vestindo-a, numa espécie de manto de Herodes da modernidade, a marcha dessa vez veio com mouse. O último mês foi marcado por uma enxurrada de e-mails e notícias nas redes sociais que denotam à candidata citada o estigma de matadora de criancinhas, parafraseando o que disse a pretensa primeira dama, Mônica Serra.

Hipocrisias à parte, o fato é que esse tipo de sensacionalismo ainda mexe com o imaginário social brasileiro. A defesa da moral e dos bons costumes tão decantada na década de 60 está mais presente que nunca. A Igreja, novamente, deu sua contribuição para despertar os fantasmas. Parte pequena dela, a bem da verdade. Porém, barulhenta e determinada. E a grande imprensa, como sempre, também vem dando o seu quinhão de contribuição para reforçar os estigmas. Ela também tem candidato próprio.


Entretanto, assim como no passado, o sucesso da marcha e seus novos velhos articuladores têm obtido êxito porque continuam explorando características do povo brasileiro que a modernidade não conseguiu extirpar: o conservadorismo e o moralismo latentes. Nos anos 60 éramos cerca de 70 milhões de brasileiros. Hoje, estamos na casa dos quase 200 milhões. Mas a marcha empunhada de mouse tem atualmente acesso maior às pessoas, haja vista que o Brasil está entre os países que mais acessam a rede mundial de computadores.

Resta-nos acreditar em algumas coisas. Primeiro, que a grande massa eleitoral não se deixará iludir por conspirações tramadas de última hora nos bastidores eleitoreiros. Segundo, a realidade deverá falar mais alto do que querem urdir os articuladores da marcha de plantão, até porque, apesar dos avanços tecnológicos, 25% dos brasileiros têm acesso à informática.

Dos males, o menor. Pelo menos, não se cogita que os militares venham chamar pra si novamente a responsabilidade de intervenção nos rumos políticos do país. Também se espera que possamos continuar avançando rumo à cidadania plena. Retrocessos, creiamos, não mais terão espaço em nossa conjuntura histórica. Oxalá! Assim seja!

E que Deus nos ajude e ilumine para que definitivamente crianças não morram mais por aqui: por inanição, por maus tratos, por falta de atendimento médico, pelos frutos da exclusão, pela hipocrisia da sociedade e pelo descaso dos próximos governantes do país. Amém!


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Educador ou professor: a escolha é nossa!


Ah....a sala de aula....

Escrevo por alguns motivos. Primeiro porque quero render homenagens a todos nós, profissionais da Educação do Brasil. Nem sempre tarefa fácil. A bem da verdade, quase nunca. Mas somos insistentes. Muitos de nós, utópicos....

Vivemos num país em que educação nunca foi prioridade governamental. Por óbvio, não creio que seja desejável uma nação de 200 milhões de cérebros pensantes, conscientes e exigentes. Conscientes de deveres, mas também de direitos. Pessoas que não se deixariam ludibriar facilmente. Não. Definitivamente não seria interessante...

Conforme frase do nobel de literatura deste ano, Mário Vargas Llosa, “um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias”.


Mesmo assim, os educadores acreditam que isso seja possível. Não falo de professores, para os quais a sala de aula representa ensinar e meramente ministrar conteúdos e cumprir com suas tarefas profissionais. Isso é obrigação de quem optou pela carreira. Falo é de algo mais. Falo de ser EDUCADOR.

Educador é aquele que vê na sala de aula a oportunidade de transformar a sociedade. É aquele que enxerga no aluno não uma caixa vazia apta a receber informações e as reproduzir. Mas é aquele que vê a pessoa do aluno em todas as suas dimensões; se envolve; se deixa contagiar pela oportunidade de contribuir para a construção de um mundo melhor. É aquele que semeia a liberdade...

Educador sabe que educar é muito mais do que informar. É a oportunidade de tentar formar um aluno cidadão. Pessoas engajadas com o mundo à sua volta e dispostas a intervir positivamente neste universo. É preparar humanistas. É talvez despertar esse instinto. Ouso dizer que educador tem em sua profissão, sua ideologia. É missão, é destinação, é dom!


Com este espírito, concluo. E minha homenagem vai também para meus amados alunos, ex-alunos e também os que ainda virão. E espero que sempre venham. São vocês, mesmo que não saibam, meus verdadeiros e grandes amigos. Por quê? Eu explico: são aqueles que me dão a oportunidade de fazer das coisas que mais gosto na vida: trocar ideias, compartilhar experiências e, sobretudo, aprender sempre. A sala de aula é minha grande terapia. Coisa de maluco? Que seja. É a mais pura verdade. É a minha verdade...


Agradeço a Deus pela oportunidade que me dá cotidianamente de estar na companhia de todos vocês. Também por isso, sou abençoada!

A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. PAULO FREIRE.

sábado, 2 de outubro de 2010

Ditadura militar: anos sombrios na História do Brasil

Por mais que muitos de nós consideremos meio óbvio, muita gente não tem conhecimento sobre a ditadura militar brasileira, período em que muitos direitos constitucionais foram suprimidos da vida dos cidadãos deste país.

Em nome de ‘salvar a democracia’, supostamente ameaçada pelo governo Jango, os militares deram um golpe e instauraram o governo ditatorial no Brasil. O que começaria em caráter provisório, como foi alardeado, duraria duas longas e arrastadas décadas de nossa História. Sem dúvida, muitos problemas sócio-culturais, políticos e econômicos foram o grande saldo que aqueles anos nos deixaram por herança...

Começava ali um período conturbado, que comprometeria não somente a cidadania, mas também nosso próprio crescimento, percepção e maturidade enquanto povo.

Passando por Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, naquilo que ficou conhecido como rodízio de generais, o país assistia a supressão dos principais direitos civis: ir e vir; liberdade de expressão e manifestação; inviolabilidade do lar, dentre outros tantos. Os direitos políticos também foram suspensos, haja vista que já nos primeiros momentos de 64, foi declarada a eleição indireta para presidente da República. E aquele era só o começo.


Entre censura, propaganda ufanista oficial, arrocho salarial, silêncio imposto à sociedade, alem do já citado assalto aos direitos e garantias constitucionais dos indivíduos, o que mais me choca, ainda hoje, é a institucionalização da tortura como forma de obter confissões dos chamados subversivos. Nos porões da ditadura foram freqüentes os “paus de arara”, “cadeira do dragão”, “choques elétricos” e outros vários para aquelas pessoas cujo crime principal era a luta pelo resgate à democracia no país.

TERRORISTAS. Assim eram rotulados pelo governo ditatorial aqueles que foram suficientemente corajosos para enfrentar as arbitrariedades dos militares de plantão. As opções para aqueles jovens não eram muitas, talvez, nem muito menos atrativas: ou o conformismo, muitas vezes traduzido em alienação; ou adesão ao movimento Hippie, através da máxima sexo, drogas e Rock and roll; ou a luta armada, opção de enfrentamento para aqueles que não conseguiram aceitar ou se adequar àquele contexto onde as urnas deram lugar às fardas e tanques.


 

Aderindo a essa última opção foi que muitos lutaram, sofreram, morreram ou simplesmente desapareceram do mapa. Dentre estudantes, artistas, intelectuais, jornalistas, professores, advogados, membros da igreja e categorias variadas, muitos deles, até hoje, quarenta anos depois, ninguém sabe, ninguém viu. São muitos os considerados desaparecidos políticos. Na sociedade ocidental cristã, temos o ritual de enterrar nossos mortos. Muitas famílias daquelas pessoas, porém, até hoje esperam para tornar esse direito um fato. Imagino que se trata de um espectro de difícil convivência...





Curioso é que ainda tem gente por aí dizendo que tem saudade da ditadura. São muitos os saudosos dessa época. Dizem que eram bons tempos de prosperidade. A era do milagre econômico. Mesmo que hoje saibamos que o santo tinha pés de barro. Os índices positivos eram forjados, o arrocho salarial bastante real e o saldo para a década de 80 foi de intenso contexto de recessão e inflação. No frigir dos ovos, a ditadura só fez alargar o fosso existente entre ricos e pobres no Brasil.

 

Os adeptos dessa convicção também alardeiam que na época não existia tanta violência como a de hoje. Com certeza não. O que dizer de um Estado arbitrário, truculento, matador, torturador e silenciador?

 

Para aqueles, vítimas do Estado de outrora, só tenho a render as minhas homenagens. Talvez contribuindo para não deixar cair no esquecimento tudo aquilo que viveram. Preservar a memória nacional, acredito, é contribuir para a construção da cidadania plena que almejamos. Tenho certeza: ela ainda é possível!

 

E para um ex-torturado que entrevistei, o qual nunca permitiu que eu citasse seu nome, como apenas um, dos inúmeros danos psicológicos herdados, deixo algumas linhas escritas ao vento, fruto da admiração que ele a mim despertou:

 

Li em algum lugar que a tortura mata o homem no homem.

 Teus olhos, tua emoção e tua sensibilidade, porém,

fizeram-me crer que felizmente nem todos os homens morreram dentro de si....