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terça-feira, 5 de julho de 2011

Coisas inimagináveis no século XXI


Outro dia li no twitter de um jornalista, sobre uma cena inimaginável hoje: a de um editor chefe de um jornal conspirar com militares por telefone sobre o presidente da República. Pensei: que bom. Sinal dos tempos democráticos que vivenciamos já há duas décadas.

Daí a parar para pensar em cenas e coisas inimagináveis foi um pulo. A primeira coisa que me veio em mente, inclusive banhada com certo saudosismo, foram as cartas. Que pena que a atual geração de adolescentes, em sua maioria, sequer sabe o que é esperar o correio passar trazendo carta da pessoa amada, de um amigo ou parente distante. E carta com cheiro então? Imagino a dificuldade até em entender do que se trata... Só quem viveu sabe: cheiros, suspiros e coração disparado. Não necessariamente nesta ordem.
A tecnologia trouxe a instantaneidade das informações: e-mails, torpedos, msn e até o icq, que hoje também já é coisa do passado. Obviamente que são inegáveis as conquistas dessa era digital. Mas, ao mesmo tempo, ela trouxe também a falta de glamour escancarada, bem como a falta da imprevisibilidade do efeito surpresa.

Alguém imaginaria hoje um estudante fazendo pesquisa na Barsa e transcrevendo-a em folha de papel almaço? Nos anos 80, esse era o ápice da pesquisa que um estudante secundarista poderia realizar. Mas essa enciclopédia era caríssima. Quem não tinha, dependia da boa vontade do proprietário em deixar consultá-la, sob vigilância ferrenha ‘para não estragar’.

E o que dizer das velhas fichas de orelhão, bem como as intermináveis filas para utilizar do mesmo e conseguir fazer um contato telefônico da rua? Nunca mais vi. Também pudera. Noticiaram outro dia que existem mais aparelhos celulares do que brasileiros no Brasil.


Ahhh...e as bonequinhas de papel? Essas eram impagáveis. Tinha de tudo quanto é tipo, formato e cores. E andar em várias papelarias para procurar ‘roupinhas’ para elas também tinha seu encanto.

E o encantamento da infância e adolescência em muito se ligava ao fato de ficar andando de bicicleta na rua até por volta das 23h. O problema era quando alguém dizia: sua mãe está te procurando...Ih, sujou... A palmada era certeira. Não por outro motivo a não ser pelo fato de ficar até tantas horas na rua sem banho. Violência? Claro que preocupava. As mães das meninas tinham pavor do tão temido tarado. E só.

Hoje, nenhuma mãe ou pai em sã consciência, deixaria o filho andar de bicicleta sozinho à noite na rua. Talvez nem durante o dia....vai que passe um psicopata de carro e queira fazer strike com os ciclistas né?