Rede Social

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ao terceiro ano de 2011: CFO

Então, já que vcs estão de partida para uma nova vida, peço-lhes permissão para externar minhas observações acerca de meus meninos...hihihi


Espero que ao longo de suas vidas pessoais, profissionais e familiares, vocês levem aquilo que, creio eu, são as grandes virtudes de cada um:


Ana Luiza: a meiguice e fala mansa em pessoa..


Bárbara: deixe sempre aflorar essa sua emoção que contagia...


Débora: compromisso e inteligência te definem. Use-as, sobretudo, a favor do próximo...


Gabriel: que essa sua descontração com suavidade leve paz por onde vc passar...


Hector JAMES: continue transmitindo segurança e firmeza para os que estão à sua volta...


Isaac "Stern": que vc nunca perca esse seu jeito acolhedor que nos faz sentir em casa...


Larissa: perpetue sempre esse seu olhar que nos motiva e extrai o nosso melhor (genética explica)...


Mariana: que este sorriso doce se perpetue e continue tranquilizando os que te rodeiam...


Naiara: Leve seu carinho e mansidão sempre contigo. Eles te tornam ímpar...


Rafael FILGUEIRAS: vc tornará muitos amigos felizes com este seu jeitinho especial em ajudar e servir quem de vc precisa...


Renatinho: sem dúvida, aqueles que te cercam estarão sempre serenos com este seu sorriso fácil e encantador...


Thaís: ser bem agradecida é virtude para poucos. Continue demonstrando gratidão aos que te cercam porque vc mobilizará muitas pessoas a ajudarem ao próximo...


João Paulo: silêncio e nobreza de gestos. Mas acredito que vc tem muito a dizer ao mundo...


Beijo a todos. Saudade já....
"Tia Sisi".

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CADEIRA DE RODAS DO ELIAS

O nome dele é Elias. 11 anos, cadeirante, morador do aglomerado Morro das Pedras, cursando a quinta série.
Foi chamado a falar sobre a integração do deficiente físico na escola regular. Num bom humor ímpar, deu um show de vida...
Perguntado sobre seu sonho, disse: ser Presidente do Brasil.
Sobre o sonho mais imediato, nem pestanejou: ter uma CADEIRA DE RODAS NOVA.
Elias, vamos conseguir!!!         Eliass, conseguimos!!!
____________________________________________________


PRESTAÇÃO DE CONTAS:


Cadeira de rodas (Orto-eficiente): R$ 1190,00
Notebook (Ricardo eletro): 699,00
Material escolar para 2012 e mochila (Leitura): R$ 283,00
Vale compras c&a: R$ 300,00
Cesta básica e ceia de natal (Apoio mineiro): R$ 204,00
Brinquedos (Americanas): R$ 129,00
Papel de presente, durex, fitas (Armarinho ponto cruz): R$ 7,00
Gasolina/estacionamentos: R$ 50,00


TOTAL gasto: R$2863,00
Total arrecadado: R$ 3534,00


Dinheiro restante entregue para a família: R$671,00


VALEU QUERIDOS AMIGOS... A FAMÍLIA DO ELIAS FICOU EM ÊXTASE....
E ELE....AH, ELE É UM SHOW À PARTE...
DEUS ABENÇOE A TODOS COM PROSPERIDADE E ABUNDÂNCIA.




OBS: AS NOTAS FISCAIS FORAM APRESENTADAS NA ENTREGA DOS PRESENTES.




DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana


"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

"A amizade é um amor que nunca morre."


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

No som do silêncio, uma lição de amor à vida...


Dia 09 de novembro, lá estava ela mais que pontualmente às 19h: Amanda Alether, 16 anos, sua síndrome de leigh, sua cadeira de rodas, seu inseparável notebook, sua palestra e seu silêncio cheio das ondas sonoras da emoção.


Foi convidada a palestrar para alunos do curso de Pedagogia da Universo/BH sobre a inserção dos deficientes físicos na escola regular e os respectivos desafios enfrentados. Pensávamos que ela contribuiria para os futuros pedagogos pensarem e traçarem estratégias para o necessário mecanismo de inclusão educacional e seus desdobramentos e co-relações com a cidadania. Importava o aspecto cognitivo, a princípio. Afinal, era a semana da Pedagogia.
Mas de certa forma, fomos frustrados na expectativa: ela não falaria de escola, de desafios, obstáculos ou teorias que levassem ao conhecimento intelectual. Resolveu dizer, mesmo sem pronunciar palavra alguma, sobre a vida. Sim, a vida! Essa mesma para a qual muitos não dão importância.
Ela empolgaria toda uma platéia de educandos e educadores que assistiram num misto de admiração, espanto e emoção uma garota cadeirante, que não fala, dedilhar seus dedos sobre o teclado do computador e nos comunicar com toda simplicidade do planeta através do data show que ela não estava ali pra falar de problemas e desafios. Ela estava ali pra falar de sonhos, de bom humor, de alegria, de família, de amor, de expectativas de futuro, da essência da vida...


Pensava-se que ela exibiria vídeos ilustrativos dos obstáculos físicos, os quais, sabemos, tanto dificultam a vida dos deficientes em geral neste país, que, diga-se de passagem, tem muito de ignorância e desrespeito ao direito do outro. Mas não. Ousada, inventou de passar o vídeo de sua festa de 15 anos linda a bailar juntamente com o seu amado pai. As cenas, que retratavam bolos, doces, vestidos de festa, dança, amigos e família eram entrecortadas pelas palavras: sonhe, sonhe, sonhe, até que se realize...


Que show! Show de bola; show de vida.
De pensar que alguns que ali estavam e chegaram ANDANDO por suas próprias pernas provavelmente reclamavam por ter que subir até no distante auditório para ver palestra. Quantos devem ter reclamado do ônibus; do trânsito; do chefe; do dia corrido; do salgado da esquina que nem estava tão bom assim. E ela lá. Sempre com seus fiéis escudeiros e guerreiros pais, que a carregam pra cima e pra baixo com um sempre sorriso estampado no rosto. Que prazer e que orgulho em tê-la conhecido Amanda. Foi e é, sem dúvida, um grande privilégio poder conviver com você. Obrigada por isso e pelas demais lições que você, aluna, dá cotidianamente a seus mestres...
Pus-me a pensar mais sistematicamente de lá pra cá: quem ensina o quê a quem? 


terça-feira, 1 de novembro de 2011

O mundo de ponta a cabeça


Nos últimos dias, alguns assuntos chamaram a atenção de muita gente por aqui nesta nossa “nação”, sé é que podemos assim denominar este país.  Para sabermos hoje até que ponto este ou aquele assunto foi ou é de interesse geral, basta uma olhada breve nos Trending Topics do twitter, leia-se, assuntos mais comentados pelos internautas da não menos badalada rede social. Coisas do século XXI.

Pois bem, dentre os tais assuntos mais em voga, vimos o perrengue entre os irmãos da famosa dupla sertaneja, a repórter que foi derrubada em pleno momento da notícia ao vivo e a pauta mais comentada dos últimos quatro dias: o câncer do ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva.

Entretanto, para além dos fatos em si, a mim, o que mais chamou a atenção, foi a forma com que as pessoas passaram a tratar tais assuntos, sobretudo, a doença que acometeu o ex-presidente. Para a indignação de alguns outros, inclusive a minha, as pessoas abordaram o caso com desdém, minimamente, e desrespeito ao ser humano em última instância.
A campanha disseminada nas redes sociais conclamava: “presidente, vá se tratar de câncer no SUS”; e não menos importante, a chamada também dizia: “e quem curtir, compartilhe este link”.

CAMPANHA!
LULA, FAÇA O TRATAMENTO PELO SUS!
Compartilhem galera!







Tudo bem, não precisa ser petista e nem gostar da figura pública em questão. Pode-se mesmo execrar o político Luis Inácio e seus oito anos de governo à frente do Executivo Federal. A liberdade de expressão, nunca é demais lembrar, continua sendo direito constitucionalmente garantido. Sob esse mesmo aspecto, também podemos quase todos, senão todos mesmo, concordar que a rede de saúde pública no Brasil padece do mal de descaso das autoridades públicas há séculos e praticamente sangra, proliferando metástases que nos parecem incuráveis. Utilizando o jargão médico, poderíamos dizer que tal descaso é uma patologia congênita, recorrente, reincidente e crônica no Brasil.


Mas esta epidemia não poderia se transvestir de justificativa para a chacota com que a gravidade da doença de Lula tem sido tratada. O que fizemos de nós? Um bando de robôs disseminando campanhas online sem sequer pensar no teor do que estamos propagando? Ou será que perdemos a nossa capacidade de solidarizar com o próximo? Chegamos ao auge do egocentrismo desvairado onde a figura do outro não mais interessa? O que estamos fazendo aqui? Será que está deflagrado o processo de reversão irremediável da teoria da evolução? Para onde estamos “avançando”? Será que o humanitarismo entrou no rol de palavras que caíram em desuso de vez?

Confesso que me entristeci com o que vi/li a respeito. Não apenas pela doença grave que faz mais uma de suas vítimas. Mas pela escancarada e evidente falta de solidariedade e aquiescência com os males do próximo. Não estamos nem aí para o sofrimento alheio. Nos e-mails e mensagens destinadas à parte da mídia impressa, lia-se: “o Lula não disse que a saúde era boa no país e que ele gostaria de se internar em hospital público? Pois é. Então agora, se for homem, vai tratar seu câncer no SUS”.

No mesmo bojo da achincalhada campanha, o assunto corrupção apareceu em algumas mensagens: “corrupto tem que se danar”; “agora seria bom se ele experimentasse a praga da saúde pública do Brasil”.

Pensei no significado da palavra corrupção...
Corromper se traduz em transgredir; perverter. Perversão, por sua vez, significa fazer algo contrário às leis da natureza e da vida moral, transformar o bem em mal. Assim, no final das contas, quem corrompe quem? Estamos fadados à corrupção social, além da política? Qual vem primeiro? Sei lá. Mas lembrando Montesquieu, “a corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”.

Princípios? Alguém se lembra do que se trata isso? Creio mesmo é que estamos mais pros finais....





terça-feira, 5 de julho de 2011

Coisas inimagináveis no século XXI


Outro dia li no twitter de um jornalista, sobre uma cena inimaginável hoje: a de um editor chefe de um jornal conspirar com militares por telefone sobre o presidente da República. Pensei: que bom. Sinal dos tempos democráticos que vivenciamos já há duas décadas.

Daí a parar para pensar em cenas e coisas inimagináveis foi um pulo. A primeira coisa que me veio em mente, inclusive banhada com certo saudosismo, foram as cartas. Que pena que a atual geração de adolescentes, em sua maioria, sequer sabe o que é esperar o correio passar trazendo carta da pessoa amada, de um amigo ou parente distante. E carta com cheiro então? Imagino a dificuldade até em entender do que se trata... Só quem viveu sabe: cheiros, suspiros e coração disparado. Não necessariamente nesta ordem.
A tecnologia trouxe a instantaneidade das informações: e-mails, torpedos, msn e até o icq, que hoje também já é coisa do passado. Obviamente que são inegáveis as conquistas dessa era digital. Mas, ao mesmo tempo, ela trouxe também a falta de glamour escancarada, bem como a falta da imprevisibilidade do efeito surpresa.

Alguém imaginaria hoje um estudante fazendo pesquisa na Barsa e transcrevendo-a em folha de papel almaço? Nos anos 80, esse era o ápice da pesquisa que um estudante secundarista poderia realizar. Mas essa enciclopédia era caríssima. Quem não tinha, dependia da boa vontade do proprietário em deixar consultá-la, sob vigilância ferrenha ‘para não estragar’.

E o que dizer das velhas fichas de orelhão, bem como as intermináveis filas para utilizar do mesmo e conseguir fazer um contato telefônico da rua? Nunca mais vi. Também pudera. Noticiaram outro dia que existem mais aparelhos celulares do que brasileiros no Brasil.


Ahhh...e as bonequinhas de papel? Essas eram impagáveis. Tinha de tudo quanto é tipo, formato e cores. E andar em várias papelarias para procurar ‘roupinhas’ para elas também tinha seu encanto.

E o encantamento da infância e adolescência em muito se ligava ao fato de ficar andando de bicicleta na rua até por volta das 23h. O problema era quando alguém dizia: sua mãe está te procurando...Ih, sujou... A palmada era certeira. Não por outro motivo a não ser pelo fato de ficar até tantas horas na rua sem banho. Violência? Claro que preocupava. As mães das meninas tinham pavor do tão temido tarado. E só.

Hoje, nenhuma mãe ou pai em sã consciência, deixaria o filho andar de bicicleta sozinho à noite na rua. Talvez nem durante o dia....vai que passe um psicopata de carro e queira fazer strike com os ciclistas né?


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sonhos não envelhecem


Outro dia li num site de relacionamento a frase de uma moça cujo casamento marcado se desfez antes mesmo da tão sonhada data: “meus sonhos morreram”. Dei um palpite do tipo “eles podem ter sido apenas adiados” e ficou por isso mesmo.

Ando pensando muito a respeito dos sonhos.... desses que temos acordados mesmo. Esses que, acredito, movem a nossa vida. Fico pensando nas motivações de vida de quem nunca sonha...

Eu sei que não sou nada e que talvez nunca tenha tudo. A parte isso, eu tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Essa frase de Fernando Pessoa tem me inspirado nos últimos dias. Talvez porque eu tenha realizado um sonho das antigas: ver o show do U2 ao vivo. Não me lembro de ter ficado com tanta expectativa de nada parecido na vida. Nem às vésperas de casamento, nem no dia em que aguardei o resultado da prova de mestrado, nem quando comprei o primeiro apartamento. Não que nada disso não tenha tido valor. Tudo teve e muito: em graus variados de importância. Mas talvez a explicação esteja no fato de que não havia sonhado com nada disso e tudo foi acontecendo naturalmente no transcorrer da vida.

O show era sonho. Coisa idealizada e esperada desde sempre.


Aos olhos de qualquer um, pode parecer bobagem, futilidade ou coisa pequena mesmo. Mas também entendo que cada um sonha de acordo com desejo próprio. Portanto, o que é importantíssimo pra um, pode ser insignificante pra outro. Exatamente por isso, não anseio que ninguém me entenda. Escrevo a respeito porque minha alma transborda...

Existem sonhos pessoais e sonhos altruístas. Confesso que por mais que beire a utopia, não deixei de sonhar com um mundo sem desigualdade.

Muitos sonhos realizados foram importantes não somente para quem sonhou. Martin Luther King sonhou que os negros nos EUA fossem reconhecidos como cidadãos de fato e de direito. E mesmo tendo morrido tão precocemente, gosto de imaginar a felicidade dele, de qualquer lugar em que esteja, quando Obama foi eleito presidente do seu país.

Também gosto de pensar que Santos Dumont ou mesmo os irmãos Wright, aos quais é creditada a invenção do avião, devem ter sido movidos pelo sonho de bater asas e voar. Aliás, desde a lenda de Ícaro que voou alto demais e o sol derreteu-lhe as asas, que o sonho de voar pelas alturas era manifesto.

  
Sonhar no mundo capitalista em que vivemos quase sempre vem acoplado da palavra consumo. Basta perguntar às crianças: a maioria sonha em ter. Não em ser. E olha que a maioria delas nunca leu sobre o fetiche da mercadoria de Karl Marx.

Mas capitalismo à parte, o bom mesmo é que sonhar não paga. Definitivamente, uma das poucas coisas para as quais não temos que desembolsar. Para concretização do sonho, aí sim, já é outra história. Mas se for sonho mesmo, valerá cada centavo gasto em sua execução. Só quem sonha sabe. Afinal, conforme Walt Disney, se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade.

A propósito, nesse momento, já tenho aqui em mente um monte de outros sonhos atrás dos quais irei correr.... nem que dure a eternidade. Até porque, a gente envelhece; os sonhos não...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Golpe de 1964: Quem tem medo da verdade?


Reproduzo artigo de Nilmário Miranda, publicado no site da Carta Maior:

Eu não tinha 17 anos quando veio o golpe, destruindo meus sonhos das grandes reformas de base. Morava na então pequena Teófilo Otoni (MG). Os ferroviários da lendária Estação de Ferro Bahia-Minas cruzaram os braços. Foi o único e solitário protesto (no ano seguinte a EFBM foi extinta). 

Em poucos dias nada menos que 74 pessoas foram presas pelos “revolucionários” e levados ao QG dos golpistas em Governador Valadares. Ferrovias, comerciários, bancários, estudantes, militantes da Igreja, do Partidão, do PTB, pequenos comerciantes – dentre eles meu pai, uma pessoa pacata, educada, incapaz de fazer mal a ninguém, uma alma gentil.

Chocou-me também a prisão de Dr. Petrônio Mendes de Souza, ex-prefeito, médico dos pobres, figura hierática. Lá pelos dias encontrei-me com o filho do ferroviário Nestor Medina, carismático, inteligente, autodidata, homem de grande dignidade. Desde aquela noite fiz juras de por todos os dias enquanto durasse, combateria a ditadura, o que realmente aconteceu.

No ano seguinte mudei para Belo Horizonte para estudar e participar da resistência. 1968 foi o ano do crescimento da oposição à ditadura. A Marcha dos Cem Mil no Rio; as duas greves (Contagem e Osasco) desafiando a rigorosa legislação anti operária; a fermentação no meio cultural; a Frente Ampla que uniu o impensável (a UDN de Carlos Lacerda, o PSD de JK, o PTB de Jango); as primeiras ações da resistência armada. A recusa da Câmara de conceder a licença para processar Márcio Moreira Alves foi um pretexto para a edição do AI-5 em 13 de dezembro, instituindo o Terror de Estado.

Eu respondia a processo pelo LSN depois da prisão por 32 dias após a greve de Contagem; vi-me em um dilema: sair do país, para o exílio; ou cair na clandestinidade. Estudava Ciências Econômicas na UFMG. Optei pela resistência na clandestinidade, aos 21 anos. Todas as portas foram fechadas; os espaços para a oposição foram extintos.

Desde as prisões em Ibiúna de mais de 700 estudantes de todo o país, as odiosas listas negras para os trabalhadores rebeldes, a “aposentadoria” forçada de três ministros do STF como recado para amordaçar a Justiça, a censura prévia na imprensa, o fim do habeas corpus. A polícia política tinha dez dias de prazo para apresentar o detido ao juiz militar, e a criação de centros de detenção e tortura na prática era a institucionalização da tortura.

Passar à resistência clandestina era a opção de colocar a própria integridade física em risco. Mas essa foi a opção de milhares de brasileiros. Nada menos que 479 pessoas foram eliminadas, 163 das quais se tornaram desaparecidos políticos.

Denominar a ditadura de “ditabranda” é piada de péssimo gosto. Pior ainda é a insistência de alguns comandos militares de comemorar o 31 de março como uma “revolução democrática”, em desafio à cúpula militar que retirou esta data do calendário de efemérides.

Aprovar e instalar a Comissão Nacional da Verdade, confiando à sete pessoas idôneas, probas e éticas a tarefa de passar os 21 anos da ditadura à limpo dá uma interpretação fiel ao que se passou no país para constar dos livros e currículos escolares, inclusive das academias militares. É mais uma grande e importante etapa na construção de nossa democracia, incorporando o direito à verdade.

(*) Nilmário Miranda é jornalista, Presidente da Fundação Perseu Abramo, ex-Ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) [e membro do conselho consultivo do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé].

quinta-feira, 24 de março de 2011

Cidadania: teoria versus prática. Uma breve abordagem sobre as escolas.


Está na Constituição Federal no artigo quinto: somos livres. Isso inclui pensamento, ação, manifestação, ir e vir e várias outras possibilidades. Graças a Deus por isso. Houve época em que o simples manifestar de ideias levava uns e outros pro desemprego, pra cadeia, pra Inquisição e até pra fogueira...

Voltaire, um grande nome do Iluminismo já apregoava com propriedade: “não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la”.


Que bom. Quem pensa sabe que o direito de pensar pertence a todos e consequentemente, o pensar diferente do meu não é menos ou mais importante do que penso. Simplesmente é diferente.

E eu estava aqui justamente pensando na greve dos professores da rede particular de Belo Horizonte, em pleno vapor. Nossa categoria profissional, já o sabemos, é fragmentada e desunida. Infelizmente. Além de outros vários fatores, penso que o sucateamento de nossa profissão se deve também à falta de unidade nas ações e mobilizações da classe.

Mas também concordamos que os professores têm o direito de pensar, agir e aderir ou não ao movimento. É a liberdade citada acima. O que não dá para compactuar, porém, é com a hipocrisia, essa praga que se manifesta em vários aspectos e várias instâncias da convivência entre pessoas.

Existem aqueles profissionais que se posicionam, reclamam, fazem muito barulho, a la biscoito de polvilho, mas não querem se expor e botar a cara para bater. Na hora H desconversam, fingem que não é com eles e, a despeito da luta do colega, fazem a linha “eu fui praticamente obrigado(a)”. Tudo bem. Releva-se.


Mas a grande hipocrisia ou incoerência que mais me incomoda é a de algumas instituições de ensino. Está lá escrito para quem quiser ver em seus projetos político-pedagógicos e, em alguns casos alardeados na imprensa: “nosso compromisso é com a formação do aluno; é com a formação do CIDADÃO”.

Ora, se fizermos uma leitura ao pé da letra, entenderemos: escola é espaço de construção de cidadania.

Será?

Que espaço de cidadania é esse que se recusa a abrir oportunidade ao diálogo? Que cidadãos querem formar se seus professores são intimidados a não discutirem sobre seus direitos básicos? Pura hipocrisia!


Óbvio que não generalizo. Há instituições cujos líderes são os primeiros a chamarem para os debates. Que ouvem atentamente o que seus funcionários têm a dizer. Fico feliz quando penso que pertenço a algumas dessas. As respeito mais ainda por isso.

Mas há, por outro lado, aquelas que intimidam, ameaçam (velada ou escancaradamente) os seus respeitadíssimos educadores. Pura figura de retórica; balela; o famoso lero-lero. Alardeiam a importância da cidadania aos alunos, pais e responsáveis, mas que seus professores não se metam a ousarem-se cidadãos.

Citando Vitor Paro, em seu texto “Educação para a democracia”, a escola possui duas dimensões importantes e complementares. A individual e a social. A primeira, diz respeito ao fato de munir o aluno de capacidade de raciocínio próprio, levando-o à construção de conhecimento, dotando-o de habilidades e competências para seu viver bem. A segunda, a SOCIAL, nos ressalta a importância de preparar o aluno para viver em sociedade; torná-lo mais solidário, humanitário, em suma, um cidadão virtuoso. Aquele que cumpre seus deveres, mas exige a garantia de seus direitos. Que respeita o outro, as diferenças entre as pessoas e mais que isso, que aprende a conviver com elas.

Linda a teoria. Prática distante.

Se quisermos de fato contribuir para a construção de uma sociedade melhor, que possamos, antes de tudo, sermos o exemplo vivo disso. Sem hipocrisias...

E pensando aqui com meus botões em como eu gostaria que meus amados alunos sempre lembrassem de mim, se isto for possível, é que lutem sempre pelos seus ideais, por aquilo que acreditam. Que possam cumprir com seus deveres, mas que não deixem que seus direitos sejam suprimidos. Fidelidade às suas convicções e dignidade acima de tudo!


Ideias no forno

Escrevendo para registrar que vou voltar a escrever....

Preciso, quero, necessito, anseio pelo eterno compartilhar/despejar de ideias e pensamentos....

Aguardem....