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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sonhos não envelhecem


Outro dia li num site de relacionamento a frase de uma moça cujo casamento marcado se desfez antes mesmo da tão sonhada data: “meus sonhos morreram”. Dei um palpite do tipo “eles podem ter sido apenas adiados” e ficou por isso mesmo.

Ando pensando muito a respeito dos sonhos.... desses que temos acordados mesmo. Esses que, acredito, movem a nossa vida. Fico pensando nas motivações de vida de quem nunca sonha...

Eu sei que não sou nada e que talvez nunca tenha tudo. A parte isso, eu tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Essa frase de Fernando Pessoa tem me inspirado nos últimos dias. Talvez porque eu tenha realizado um sonho das antigas: ver o show do U2 ao vivo. Não me lembro de ter ficado com tanta expectativa de nada parecido na vida. Nem às vésperas de casamento, nem no dia em que aguardei o resultado da prova de mestrado, nem quando comprei o primeiro apartamento. Não que nada disso não tenha tido valor. Tudo teve e muito: em graus variados de importância. Mas talvez a explicação esteja no fato de que não havia sonhado com nada disso e tudo foi acontecendo naturalmente no transcorrer da vida.

O show era sonho. Coisa idealizada e esperada desde sempre.


Aos olhos de qualquer um, pode parecer bobagem, futilidade ou coisa pequena mesmo. Mas também entendo que cada um sonha de acordo com desejo próprio. Portanto, o que é importantíssimo pra um, pode ser insignificante pra outro. Exatamente por isso, não anseio que ninguém me entenda. Escrevo a respeito porque minha alma transborda...

Existem sonhos pessoais e sonhos altruístas. Confesso que por mais que beire a utopia, não deixei de sonhar com um mundo sem desigualdade.

Muitos sonhos realizados foram importantes não somente para quem sonhou. Martin Luther King sonhou que os negros nos EUA fossem reconhecidos como cidadãos de fato e de direito. E mesmo tendo morrido tão precocemente, gosto de imaginar a felicidade dele, de qualquer lugar em que esteja, quando Obama foi eleito presidente do seu país.

Também gosto de pensar que Santos Dumont ou mesmo os irmãos Wright, aos quais é creditada a invenção do avião, devem ter sido movidos pelo sonho de bater asas e voar. Aliás, desde a lenda de Ícaro que voou alto demais e o sol derreteu-lhe as asas, que o sonho de voar pelas alturas era manifesto.

  
Sonhar no mundo capitalista em que vivemos quase sempre vem acoplado da palavra consumo. Basta perguntar às crianças: a maioria sonha em ter. Não em ser. E olha que a maioria delas nunca leu sobre o fetiche da mercadoria de Karl Marx.

Mas capitalismo à parte, o bom mesmo é que sonhar não paga. Definitivamente, uma das poucas coisas para as quais não temos que desembolsar. Para concretização do sonho, aí sim, já é outra história. Mas se for sonho mesmo, valerá cada centavo gasto em sua execução. Só quem sonha sabe. Afinal, conforme Walt Disney, se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade.

A propósito, nesse momento, já tenho aqui em mente um monte de outros sonhos atrás dos quais irei correr.... nem que dure a eternidade. Até porque, a gente envelhece; os sonhos não...