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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Nota de falecimento: o cigarro morreu


Lembro-me de experimentar as primeiras tragadas por volta dos 13 anos. Eu estudava num colégio situado dentro de um parque aqui em BH. Como parte das sandices típicas desta idade, eu acreditava piamente que ficava o charme em pessoa fumando em meio aquele verde todo: não tinha como os “gatinhos da escola” não me notarem...


A adolescência passou e, assim como ela, o cigarro também se tornou coisa do passado.

Mas como parte daquelas coisas para as quais a gente não tem muita explicação, lá pelos vinte e tantos, voltei a fumar e aos poucos o cigarro adquiria importância inexplicável em minha vida. Companheiro de todas as horas, boas ou ruins, ele sempre esteve à mão quando eu precisei. Todos que já fumaram sabem: o cigarro nos transmite, mesmo que de forma ilusória talvez, uma sensação de calmaria, relaxamento e prazer que pouquíssimas coisas nesta vida são capazes de nos dar.

Mas chega um momento da vida em que a ficha tem que começar a cair... Acho até que no meu caso demorou mais que deveria. Dia desses uma aluna me contava sobre uma jovem senhora que chegou a um hospital pedindo desesperadamente aos enfermeiros e médicos que lhe dessem ar. Pouquíssimas horas depois ela faleceria após sofrer três paradas cardíacas.


Enquanto a aluna dizia que eu não fazia ideia do sofrimento da mulher que não conseguia respirar, senti um misto de constrangimento e tristeza ao lembrar os últimos dias de vida do meu pai em que ele me agarrava pela gola da camisa e exigia que eu arrumasse ar pra ele. Naquele julho de 2008 fazia um frio congelante em Belo Horizonte. E mesmo no quinto andar do hospital, com todas as janelas escancaradas ventando horrores, ele não conseguia respirar, uma vez que seu câncer de pulmão atingia estágios finais.

Assim, com certo atraso, acabo de tomar minha decisão: eliminar este vício da minha vida definitivamente. Mas como é difícil meu Deus!!! Sei que parece loucura, sobretudo aos olhos de quem nunca fumou, mas meu sentimento agora é de grande perda. A dor é emocional. Mas chega a ser física também... Para além disso, a abstinência da nicotina gera agitação, descontrole, nervosismo, tremores, náuseas, sudorese e crises de choro indescritíveis. Essa sou eu nesse momento...



Hoje é a missa de sétimo dia. Faz uma semana que enterrei o cigarro. Estou de luto... Respeite a minha dor "faz favor"... Só espero que não haja ressurreição neste caso. 
Se vou persistir e conseguir meu objetivo, ainda é cedo afirmar. Costumo ser determinada quando coloco algo na cabeça. Mas nunca é demais lembrar: só JESUS na causa...