Rede Social

terça-feira, 24 de abril de 2012

A futilidade online e instantânea



Qual o papel das redes sociais nos dias de hoje? Poderíamos pensar em inúmeras coisas: informação, compartilhamento de idéias e teorias, disseminação de correntes, mercado do compra e vende, auto-ajuda, futilidades, dentre outros.


A chamada primavera árabe, como ficara conhecida uma espécie de onda revolucionária que contribuiu para agitar, despertar e abalar regimes repressores e/ou derrubar ditadores em alguns países, foi fruto, em parte, da divulgação e disseminação de idéias pelo twitter, facebook e outros mecanismos via web.


Também e não menos importante, vimos presenciando  uma espécie de  onda crescente no caminho de uma certa conscientização política deflagrada em compartilhamentos de escândalos de corrupção, votação de salários dos detentores de mandatos públicos, desvios de verbas e outras coisitas características do mundo de nossos nobres representantes políticos.

Aqui em BH, acredita-se, o papel das redes foi de suma importância para que nossos vereadores recuassem na votação do aumento de pouco mais de 60% ao salário próprio para a próxima legislatura. Neste sentido, o prefeito Márcio Lacerda, de olho na reeleição e consciente da mobilização “internética” também teria vetado o aumento proposto pelo Legislativo Municipal. É o que dizem por aí...


Questões polêmicas, como a votação do Supremo sobre o direito ao aborto de anencéfalos também ganharam destaque nas redes nas últimas semanas. Viu-se de tudo em torno do assunto: campanha e mobilização religiosa; manifestações em torno dos direitos da mulher; compartilhamento da frase “meu útero não pertence ao Estado”, dentre outros. Contras ou a favor, o grande ganho, a meu ver, foi a discussão em torno de algo que valha a pena a menção, visto que diz respeito a assuntos relevantes para a sociedade onde todos estamos inseridos.

Numa outra linha, porém, o que mais salta aos olhos do menor observador que seja é a quantidade de bobagens que insistem cotidianamente em encher a nossa  timeline. Vai do mais simples vou ali almoçar e já volto, passando pelas reclamações em torno do clima, do dia da semana (entrar na rede nas segundas feiras beira o martírio), é o sujeito que comunica a todos que se ausentará por x tempo porque vai tomar banho, até aqueles que chamam a nossa atenção para um assunto dos “mais interessantes” (argh), como por exemplo, o tão badalado assunto de hoje: o da mulher que ficou careca num programa supostamente de humor e seu sofrimento diante do fato. Que dó!


Sejamos honestos: todos nós temos, tivemos ou teremos nosso momento futilidade. Também imagino que o que é fútil para um, não necessariamente o é para outro. Mas cá pra nós, um sujeito já adulto que nunca se propõe a discussões relevantes é duro de engolir. Tudo bem. Há soluções práticas: bloqueamos o indivíduo ou damos unfollow para que aquele festival de besteirol diário não venha despertar em nós aquela preguiça ou má vontade adormecidas. Mas o sujeito quando é chato e sem um pingo de noção mesmo, ainda questiona porque você sumiu e não comenta mais as suas publicações.


Nesses casos só há duas soluções: ou se coloca em prática a paciência também decantada nas redes em forma de versinhos de auto-ajuda, ou se desliga o computador, desiste da internet e volta a se informar apenas através dos velhos e bons jornais. Neste caso, não haverá tanta instantaneidade no processo de tomar contato com os fatos e acontecimentos. Mas também não surgirá tão rapidamente a sensação de que a fonte da paciência se esgotou.

Por fim, há que se considerar que estas palavras de desabafo que acabo de despejar aqui também possam entrar na categoria futilidades. Pode ser. Mas citando Carl Jung, "tudo depende de como vemos as coisas e não de como elas são." E isso por óbvio também se aplica a mim...