Qual o papel das redes sociais
nos dias de hoje? Poderíamos pensar em inúmeras coisas: informação, compartilhamento
de idéias e teorias, disseminação de correntes, mercado do compra e vende,
auto-ajuda, futilidades, dentre outros.
A chamada primavera árabe, como
ficara conhecida uma espécie de onda revolucionária que contribuiu para agitar,
despertar e abalar regimes repressores e/ou derrubar ditadores em alguns
países, foi fruto, em parte, da divulgação e disseminação de idéias pelo
twitter, facebook e outros mecanismos via web.
Também e não menos importante, vimos
presenciando uma espécie de onda crescente no caminho de uma certa
conscientização política deflagrada em compartilhamentos de escândalos
de corrupção, votação de salários dos detentores de mandatos públicos, desvios
de verbas e outras coisitas características do mundo de nossos nobres
representantes políticos.
Aqui em BH, acredita-se, o papel
das redes foi de suma importância para que nossos vereadores recuassem na
votação do aumento de pouco mais de 60% ao salário próprio para
a próxima legislatura. Neste sentido, o prefeito Márcio Lacerda, de olho na
reeleição e consciente da mobilização “internética” também teria vetado o
aumento proposto pelo Legislativo Municipal. É o que dizem por aí...
Questões polêmicas, como a
votação do Supremo sobre o direito ao aborto de anencéfalos também ganharam
destaque nas redes nas últimas semanas. Viu-se de tudo em torno do assunto:
campanha e mobilização religiosa; manifestações em torno dos direitos da
mulher; compartilhamento da frase “meu útero não pertence ao Estado”, dentre
outros. Contras ou a favor, o grande ganho, a meu ver, foi a discussão em torno
de algo que valha a pena a menção, visto que diz respeito a assuntos relevantes
para a sociedade onde todos estamos inseridos.
Numa outra linha, porém, o que
mais salta aos olhos do menor observador que seja é a quantidade de bobagens
que insistem cotidianamente em encher a nossa
timeline. Vai do mais simples vou ali almoçar e já volto, passando pelas
reclamações em torno do clima, do dia da semana (entrar na rede nas segundas
feiras beira o martírio), é o sujeito que comunica a todos que se ausentará por
x tempo porque vai tomar banho, até aqueles que chamam a nossa atenção para um
assunto dos “mais interessantes” (argh), como por exemplo, o tão badalado
assunto de hoje: o da mulher que ficou careca num programa supostamente de
humor e seu sofrimento diante do fato. Que dó!
Sejamos honestos: todos nós temos, tivemos ou teremos nosso momento futilidade. Também imagino que
o que é fútil para um, não necessariamente o é para outro. Mas cá pra nós, um
sujeito já adulto que nunca se propõe a discussões relevantes é duro
de engolir. Tudo bem. Há soluções práticas: bloqueamos o indivíduo ou damos
unfollow para que aquele festival de besteirol diário não venha despertar em nós
aquela preguiça ou má vontade adormecidas. Mas o sujeito quando é chato e
sem um pingo de noção mesmo, ainda questiona porque você sumiu e não comenta
mais as suas publicações.
Nesses casos só há duas soluções:
ou se coloca em prática a paciência também decantada nas redes em forma de
versinhos de auto-ajuda, ou se desliga o computador, desiste da internet e
volta a se informar apenas através dos velhos e bons jornais. Neste caso, não
haverá tanta instantaneidade no processo de tomar contato com os fatos e
acontecimentos. Mas também não surgirá tão rapidamente a sensação de que a
fonte da paciência se esgotou.
Por fim, há que se considerar que
estas palavras de desabafo que acabo de despejar aqui também possam entrar na
categoria futilidades. Pode ser. Mas citando Carl Jung, "tudo depende de como vemos as coisas e não de
como elas são." E isso por óbvio também se aplica a mim...





