Rede Social

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CADEIRA DE RODAS DO ELIAS

O nome dele é Elias. 11 anos, cadeirante, morador do aglomerado Morro das Pedras, cursando a quinta série.
Foi chamado a falar sobre a integração do deficiente físico na escola regular. Num bom humor ímpar, deu um show de vida...
Perguntado sobre seu sonho, disse: ser Presidente do Brasil.
Sobre o sonho mais imediato, nem pestanejou: ter uma CADEIRA DE RODAS NOVA.
Elias, vamos conseguir!!!         Eliass, conseguimos!!!
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PRESTAÇÃO DE CONTAS:


Cadeira de rodas (Orto-eficiente): R$ 1190,00
Notebook (Ricardo eletro): 699,00
Material escolar para 2012 e mochila (Leitura): R$ 283,00
Vale compras c&a: R$ 300,00
Cesta básica e ceia de natal (Apoio mineiro): R$ 204,00
Brinquedos (Americanas): R$ 129,00
Papel de presente, durex, fitas (Armarinho ponto cruz): R$ 7,00
Gasolina/estacionamentos: R$ 50,00


TOTAL gasto: R$2863,00
Total arrecadado: R$ 3534,00


Dinheiro restante entregue para a família: R$671,00


VALEU QUERIDOS AMIGOS... A FAMÍLIA DO ELIAS FICOU EM ÊXTASE....
E ELE....AH, ELE É UM SHOW À PARTE...
DEUS ABENÇOE A TODOS COM PROSPERIDADE E ABUNDÂNCIA.




OBS: AS NOTAS FISCAIS FORAM APRESENTADAS NA ENTREGA DOS PRESENTES.




DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana


"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

"A amizade é um amor que nunca morre."


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

No som do silêncio, uma lição de amor à vida...


Dia 09 de novembro, lá estava ela mais que pontualmente às 19h: Amanda Alether, 16 anos, sua síndrome de leigh, sua cadeira de rodas, seu inseparável notebook, sua palestra e seu silêncio cheio das ondas sonoras da emoção.


Foi convidada a palestrar para alunos do curso de Pedagogia da Universo/BH sobre a inserção dos deficientes físicos na escola regular e os respectivos desafios enfrentados. Pensávamos que ela contribuiria para os futuros pedagogos pensarem e traçarem estratégias para o necessário mecanismo de inclusão educacional e seus desdobramentos e co-relações com a cidadania. Importava o aspecto cognitivo, a princípio. Afinal, era a semana da Pedagogia.
Mas de certa forma, fomos frustrados na expectativa: ela não falaria de escola, de desafios, obstáculos ou teorias que levassem ao conhecimento intelectual. Resolveu dizer, mesmo sem pronunciar palavra alguma, sobre a vida. Sim, a vida! Essa mesma para a qual muitos não dão importância.
Ela empolgaria toda uma platéia de educandos e educadores que assistiram num misto de admiração, espanto e emoção uma garota cadeirante, que não fala, dedilhar seus dedos sobre o teclado do computador e nos comunicar com toda simplicidade do planeta através do data show que ela não estava ali pra falar de problemas e desafios. Ela estava ali pra falar de sonhos, de bom humor, de alegria, de família, de amor, de expectativas de futuro, da essência da vida...


Pensava-se que ela exibiria vídeos ilustrativos dos obstáculos físicos, os quais, sabemos, tanto dificultam a vida dos deficientes em geral neste país, que, diga-se de passagem, tem muito de ignorância e desrespeito ao direito do outro. Mas não. Ousada, inventou de passar o vídeo de sua festa de 15 anos linda a bailar juntamente com o seu amado pai. As cenas, que retratavam bolos, doces, vestidos de festa, dança, amigos e família eram entrecortadas pelas palavras: sonhe, sonhe, sonhe, até que se realize...


Que show! Show de bola; show de vida.
De pensar que alguns que ali estavam e chegaram ANDANDO por suas próprias pernas provavelmente reclamavam por ter que subir até no distante auditório para ver palestra. Quantos devem ter reclamado do ônibus; do trânsito; do chefe; do dia corrido; do salgado da esquina que nem estava tão bom assim. E ela lá. Sempre com seus fiéis escudeiros e guerreiros pais, que a carregam pra cima e pra baixo com um sempre sorriso estampado no rosto. Que prazer e que orgulho em tê-la conhecido Amanda. Foi e é, sem dúvida, um grande privilégio poder conviver com você. Obrigada por isso e pelas demais lições que você, aluna, dá cotidianamente a seus mestres...
Pus-me a pensar mais sistematicamente de lá pra cá: quem ensina o quê a quem? 


terça-feira, 1 de novembro de 2011

O mundo de ponta a cabeça


Nos últimos dias, alguns assuntos chamaram a atenção de muita gente por aqui nesta nossa “nação”, sé é que podemos assim denominar este país.  Para sabermos hoje até que ponto este ou aquele assunto foi ou é de interesse geral, basta uma olhada breve nos Trending Topics do twitter, leia-se, assuntos mais comentados pelos internautas da não menos badalada rede social. Coisas do século XXI.

Pois bem, dentre os tais assuntos mais em voga, vimos o perrengue entre os irmãos da famosa dupla sertaneja, a repórter que foi derrubada em pleno momento da notícia ao vivo e a pauta mais comentada dos últimos quatro dias: o câncer do ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva.

Entretanto, para além dos fatos em si, a mim, o que mais chamou a atenção, foi a forma com que as pessoas passaram a tratar tais assuntos, sobretudo, a doença que acometeu o ex-presidente. Para a indignação de alguns outros, inclusive a minha, as pessoas abordaram o caso com desdém, minimamente, e desrespeito ao ser humano em última instância.
A campanha disseminada nas redes sociais conclamava: “presidente, vá se tratar de câncer no SUS”; e não menos importante, a chamada também dizia: “e quem curtir, compartilhe este link”.

CAMPANHA!
LULA, FAÇA O TRATAMENTO PELO SUS!
Compartilhem galera!







Tudo bem, não precisa ser petista e nem gostar da figura pública em questão. Pode-se mesmo execrar o político Luis Inácio e seus oito anos de governo à frente do Executivo Federal. A liberdade de expressão, nunca é demais lembrar, continua sendo direito constitucionalmente garantido. Sob esse mesmo aspecto, também podemos quase todos, senão todos mesmo, concordar que a rede de saúde pública no Brasil padece do mal de descaso das autoridades públicas há séculos e praticamente sangra, proliferando metástases que nos parecem incuráveis. Utilizando o jargão médico, poderíamos dizer que tal descaso é uma patologia congênita, recorrente, reincidente e crônica no Brasil.


Mas esta epidemia não poderia se transvestir de justificativa para a chacota com que a gravidade da doença de Lula tem sido tratada. O que fizemos de nós? Um bando de robôs disseminando campanhas online sem sequer pensar no teor do que estamos propagando? Ou será que perdemos a nossa capacidade de solidarizar com o próximo? Chegamos ao auge do egocentrismo desvairado onde a figura do outro não mais interessa? O que estamos fazendo aqui? Será que está deflagrado o processo de reversão irremediável da teoria da evolução? Para onde estamos “avançando”? Será que o humanitarismo entrou no rol de palavras que caíram em desuso de vez?

Confesso que me entristeci com o que vi/li a respeito. Não apenas pela doença grave que faz mais uma de suas vítimas. Mas pela escancarada e evidente falta de solidariedade e aquiescência com os males do próximo. Não estamos nem aí para o sofrimento alheio. Nos e-mails e mensagens destinadas à parte da mídia impressa, lia-se: “o Lula não disse que a saúde era boa no país e que ele gostaria de se internar em hospital público? Pois é. Então agora, se for homem, vai tratar seu câncer no SUS”.

No mesmo bojo da achincalhada campanha, o assunto corrupção apareceu em algumas mensagens: “corrupto tem que se danar”; “agora seria bom se ele experimentasse a praga da saúde pública do Brasil”.

Pensei no significado da palavra corrupção...
Corromper se traduz em transgredir; perverter. Perversão, por sua vez, significa fazer algo contrário às leis da natureza e da vida moral, transformar o bem em mal. Assim, no final das contas, quem corrompe quem? Estamos fadados à corrupção social, além da política? Qual vem primeiro? Sei lá. Mas lembrando Montesquieu, “a corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”.

Princípios? Alguém se lembra do que se trata isso? Creio mesmo é que estamos mais pros finais....