Rede Social

terça-feira, 12 de junho de 2012

Coitado do Gerson


Toda vez que a discussão sobre a Lei de Gerson vem à tona em minhas aulas sobre Cidadania, me pego pensando se o ex-jogador de futebol imaginava que ao fazer aquela famosa propaganda de cigarro em 1976, a campanha alcançaria uma repercussão tão grande para além dos propósitos do vício do fumo...

Gerson foi jogador da seleção brasileira de futebol tricampeã em 1970. Como um dos poucos atletas assumidamente viciado em nicotina, ele emprestaria sua imagem para um comercial do cigarro Vila Rica, associando-o a um estilo de vida de quem é esperto e sabe o que quer da vida.


A partir da expressão proferida por ele: fumo este cigarro “porque gosto de levar vantagem em tudo”, cunhou-se a expressão Lei de Gerson que se traduz em nossa prática cultural de querer se dar bem em qualquer circunstância, legal ou ilegalmente.

É uma prática/praga arraigada, quase inata. O brasileiro é mesmo grande adepto da Lei em questão, mesmo não se dando conta, ou dando mesmo, de quanto a coloca em prática nas mínimas coisas da vida cotidiana.

Alguns nomeiam a Lei de Gerson, quase carinhosamente, de “jeitinho brasileiro”. Em nossa sociedade, alardeia-se aos quatro cantos como somos bons em soluções criativas, adaptáveis, mesmo que não sejam nada ortodoxas em seus meios.


Nem precisa fazer muita força para observar a presença desse nosso traço “cultural”. Basta olhar em volta. Fila é significativa neste sentido. Ok. Ninguém gosta de esperar por um serviço. No entanto, isso não nos dá o direito de querer furá-la para levar vantagem sobre os demais. Há poucos dias assistimos à aberração de um doutor/professor que chegou atrasado para a sessão do cinema em Brasília e, não se contentando em ter que esperar como os demais, destrinchou uma verdadeira verborragia racista sobre a atendente, a qual, corajosamente, o colocou literalmente em seu devido lugar: na ordem de chegada e na ordem da cidadania.

O Trânsito também é bastante ilustrativo a respeito da lei de Gerson. Estaciona-se em filas duplas, vagas de deficiente, avança-se sinal, na maioria das vezes em nome da pressa. Sempre ela. A mesma desculpa esfarrapada de sempre.


E o que dizer da prática de se apropriar de algo que não nos pertence, sobretudo no ambiente de trabalho? Quantas vezes ouvimos o sujeito dizer que estava “sobrando” este ou aquele objeto; daí levar pra casa não tem problema....não faz falta... Isso sem falar no hábito de se copiar de tudo: CD, livros, ideias.... a pirataria é geral.

Se fôssemos taxar quantas pessoas estudam neste país pelos índices das famosas carteirinhas de estudante (que permitem pagar meia entrada em espetáculos e eventos esportivos) estaríamos em grande vantagem mundial nos índices de escolaridade.


Mas que nada, corrupto mesmo é só o político. Falamos, criticamos e execramos a prática de nossos nobres representantes, muitas vezes sem nos darmos conta de que em nosso cotidiano a corrupção também está presente; e nas pequenas grandes coisas...

O mais intrigante nesta pequena historinha, porém, é que, caso queiramos agir corretamente dentro das normas pré-estabelecidas, somos taxados de “otários”. Vivemos, assim, uma inversão de valores: o certo virou errado e vice-versa. Temo ao pensar que ao agirmos pautados pela ética, tenhamos que nos esconder para não virarmos chacota no grupo social em que estamos inseridos. Triste realidade. Muito embora, uma grande verdade!


terça-feira, 24 de abril de 2012

A futilidade online e instantânea



Qual o papel das redes sociais nos dias de hoje? Poderíamos pensar em inúmeras coisas: informação, compartilhamento de idéias e teorias, disseminação de correntes, mercado do compra e vende, auto-ajuda, futilidades, dentre outros.


A chamada primavera árabe, como ficara conhecida uma espécie de onda revolucionária que contribuiu para agitar, despertar e abalar regimes repressores e/ou derrubar ditadores em alguns países, foi fruto, em parte, da divulgação e disseminação de idéias pelo twitter, facebook e outros mecanismos via web.


Também e não menos importante, vimos presenciando  uma espécie de  onda crescente no caminho de uma certa conscientização política deflagrada em compartilhamentos de escândalos de corrupção, votação de salários dos detentores de mandatos públicos, desvios de verbas e outras coisitas características do mundo de nossos nobres representantes políticos.

Aqui em BH, acredita-se, o papel das redes foi de suma importância para que nossos vereadores recuassem na votação do aumento de pouco mais de 60% ao salário próprio para a próxima legislatura. Neste sentido, o prefeito Márcio Lacerda, de olho na reeleição e consciente da mobilização “internética” também teria vetado o aumento proposto pelo Legislativo Municipal. É o que dizem por aí...


Questões polêmicas, como a votação do Supremo sobre o direito ao aborto de anencéfalos também ganharam destaque nas redes nas últimas semanas. Viu-se de tudo em torno do assunto: campanha e mobilização religiosa; manifestações em torno dos direitos da mulher; compartilhamento da frase “meu útero não pertence ao Estado”, dentre outros. Contras ou a favor, o grande ganho, a meu ver, foi a discussão em torno de algo que valha a pena a menção, visto que diz respeito a assuntos relevantes para a sociedade onde todos estamos inseridos.

Numa outra linha, porém, o que mais salta aos olhos do menor observador que seja é a quantidade de bobagens que insistem cotidianamente em encher a nossa  timeline. Vai do mais simples vou ali almoçar e já volto, passando pelas reclamações em torno do clima, do dia da semana (entrar na rede nas segundas feiras beira o martírio), é o sujeito que comunica a todos que se ausentará por x tempo porque vai tomar banho, até aqueles que chamam a nossa atenção para um assunto dos “mais interessantes” (argh), como por exemplo, o tão badalado assunto de hoje: o da mulher que ficou careca num programa supostamente de humor e seu sofrimento diante do fato. Que dó!


Sejamos honestos: todos nós temos, tivemos ou teremos nosso momento futilidade. Também imagino que o que é fútil para um, não necessariamente o é para outro. Mas cá pra nós, um sujeito já adulto que nunca se propõe a discussões relevantes é duro de engolir. Tudo bem. Há soluções práticas: bloqueamos o indivíduo ou damos unfollow para que aquele festival de besteirol diário não venha despertar em nós aquela preguiça ou má vontade adormecidas. Mas o sujeito quando é chato e sem um pingo de noção mesmo, ainda questiona porque você sumiu e não comenta mais as suas publicações.


Nesses casos só há duas soluções: ou se coloca em prática a paciência também decantada nas redes em forma de versinhos de auto-ajuda, ou se desliga o computador, desiste da internet e volta a se informar apenas através dos velhos e bons jornais. Neste caso, não haverá tanta instantaneidade no processo de tomar contato com os fatos e acontecimentos. Mas também não surgirá tão rapidamente a sensação de que a fonte da paciência se esgotou.

Por fim, há que se considerar que estas palavras de desabafo que acabo de despejar aqui também possam entrar na categoria futilidades. Pode ser. Mas citando Carl Jung, "tudo depende de como vemos as coisas e não de como elas são." E isso por óbvio também se aplica a mim...





terça-feira, 20 de março de 2012

A pessoa mais importante de minha vida


Para Fernanda Paes:


Eu a trouxe ao mundo há exatos 23 anos.
A princípio, o nome escolhido para a filhota seria Thaís. Mas que nada. Este nome definitivamente não combinava com aquela criança de quase 4kg que chorava e gritava no berçário não deixando os outros bebês em paz. Ela queria ficar junto de mim. A enfermeira a trazia para o quarto e ela mais lembrava um anjo: serena e tranqüila. Nem parecia aquela garota que quase derrubava as outras do berço. Lembrei da pastora que eu havia conhecido no passado, que, colocando a mão no meu ventre disse: você vai ganhar um presente de Deus e será um anjo que vai cuidar de você...

Olhando para aquela personalidade toda que acabara de chegar mostrando ao mundo a que veio eu pensei: Fernanda combina mais com ela. Na acepção da palavra: mulher alta de personalidade forte. Não deu outra.

Escolhi a data para ela nascer. Foi cesariana programada. O médico tinha anunciado: ela pode nascer a partir do dia 20 de março. Então é neste dia que ela virá, intuí.

Intuitivamente ou não, ela chegou junto com o outono. Estação que tem as noites mais longas que os dias. Sim, ela é noturna. Também tem mudanças bruscas de temperatura: vai do frio ao quente em questão de segundos e vice versa. E a oscilação rápida de humor é mesmo uma de suas marcas características. Por outro lado, é no outono que se realizam as grandes colheitas. E é também na Fernanda que colho a força e a vitalidade que preciso para meu alimento diário de vida. É ela quem inspira e traz a luz, a paz e a energia necessárias para minha produção de motivação. O tal do amor incondicional do qual eu há muito escutava falar, também foi ela que me apresentou.

O cartão de sua festinha de um aninho dizia:
“Que linda, venham vê-la a sorrir quase a falar. Faz um ano que esta estrela ilumina nosso lar”.
Seu cartão de festinha hoje seria:
“Que linda, venham vê-la a sorrir sempre a falar. Faz 23 anos que esta estrela não para de brilhar”.



E vai brilhar muito ainda em nossas vidas Fê. Você encanta a todos que estão à sua volta. Irradia energia e emana alegria. Como você é necessária filha! Parabéns e muita felicidade em sua vida. Que Deus continue lhe abençoando para que também possamos ser abençoados através de você. Continue encantadora exatamente assim!!! Amo muito você...

Mamis.