Por mais que muitos de nós consideremos meio óbvio, muita gente não tem conhecimento sobre a ditadura militar brasileira, período em que muitos direitos constitucionais foram suprimidos da vida dos cidadãos deste país.
Em nome de ‘salvar a democracia’, supostamente ameaçada pelo governo Jango, os militares deram um golpe e instauraram o governo ditatorial no Brasil. O que começaria em caráter provisório, como foi alardeado, duraria duas longas e arrastadas décadas de nossa História. Sem dúvida, muitos problemas sócio-culturais, políticos e econômicos foram o grande saldo que aqueles anos nos deixaram por herança...
Começava ali um período conturbado, que comprometeria não somente a cidadania, mas também nosso próprio crescimento, percepção e maturidade enquanto povo.
Passando por Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, naquilo que ficou conhecido como rodízio de generais, o país assistia a supressão dos principais direitos civis: ir e vir; liberdade de expressão e manifestação; inviolabilidade do lar, dentre outros tantos. Os direitos políticos também foram suspensos, haja vista que já nos primeiros momentos de 64, foi declarada a eleição indireta para presidente da República. E aquele era só o começo.
Entre censura, propaganda ufanista oficial, arrocho salarial, silêncio imposto à sociedade, alem do já citado assalto aos direitos e garantias constitucionais dos indivíduos, o que mais me choca, ainda hoje, é a institucionalização da tortura como forma de obter confissões dos chamados subversivos. Nos porões da ditadura foram freqüentes os “paus de arara”, “cadeira do dragão”, “choques elétricos” e outros vários para aquelas pessoas cujo crime principal era a luta pelo resgate à democracia no país.
TERRORISTAS. Assim eram rotulados pelo governo ditatorial aqueles que foram suficientemente corajosos para enfrentar as arbitrariedades dos militares de plantão. As opções para aqueles jovens não eram muitas, talvez, nem muito menos atrativas: ou o conformismo, muitas vezes traduzido em alienação; ou adesão ao movimento Hippie, através da máxima sexo, drogas e Rock and roll; ou a luta armada, opção de enfrentamento para aqueles que não conseguiram aceitar ou se adequar àquele contexto onde as urnas deram lugar às fardas e tanques.

Aderindo a essa última opção foi que muitos lutaram, sofreram, morreram ou simplesmente desapareceram do mapa. Dentre estudantes, artistas, intelectuais, jornalistas, professores, advogados, membros da igreja e categorias variadas, muitos deles, até hoje, quarenta anos depois, ninguém sabe, ninguém viu. São muitos os considerados desaparecidos políticos. Na sociedade ocidental cristã, temos o ritual de enterrar nossos mortos. Muitas famílias daquelas pessoas, porém, até hoje esperam para tornar esse direito um fato. Imagino que se trata de um espectro de difícil convivência...
Curioso é que ainda tem gente por aí dizendo que tem saudade da ditadura. São muitos os saudosos dessa época. Dizem que eram bons tempos de prosperidade. A era do milagre econômico. Mesmo que hoje saibamos que o santo tinha pés de barro. Os índices positivos eram forjados, o arrocho salarial bastante real e o saldo para a década de 80 foi de intenso contexto de recessão e inflação. No frigir dos ovos, a ditadura só fez alargar o fosso existente entre ricos e pobres no Brasil.
Os adeptos dessa convicção também alardeiam que na época não existia tanta violência como a de hoje. Com certeza não. O que dizer de um Estado arbitrário, truculento, matador, torturador e silenciador?
Para aqueles, vítimas do Estado de outrora, só tenho a render as minhas homenagens. Talvez contribuindo para não deixar cair no esquecimento tudo aquilo que viveram. Preservar a memória nacional, acredito, é contribuir para a construção da cidadania plena que almejamos. Tenho certeza: ela ainda é possível!
E para um ex-torturado que entrevistei, o qual nunca permitiu que eu citasse seu nome, como apenas um, dos inúmeros danos psicológicos herdados, deixo algumas linhas escritas ao vento, fruto da admiração que ele a mim despertou:
Li em algum lugar que a tortura mata o homem no homem.
Teus olhos, tua emoção e tua sensibilidade, porém,
fizeram-me crer que felizmente nem todos os homens morreram dentro de si....
Perdoem-me amigos. O blog está se auto-desconfigurando....rs
ResponderExcluirEspero que um dia todos os brasileiros possam ter acesso a sua história, saber tudo que realmente aconteceu... não se trata de julgar ou nao os anistiados, creio que é um direito adquirido e nao cabe alterar, mas os fatos ocorridos são de interesse nacional.
ResponderExcluirMas sinceramente, esse povo hipocrita que elege Tiririca, Romário, Marques, Frutas e Cia... Não sei pra que iria servir conhecer sua história
Sisi, adorei!
ResponderExcluirSeus textos estão excelentes... Fui lendo, lendo, lendo... Qd vi, tinha lido o blog todo...
Tudo com mt consciência e sabedoria, o que é típico de você!
Bjs
Bela Isa..
ResponderExcluirValeu! Que saudade de vc...
Espero q estejas muitooooo bem!!!
Bjo.
Grande Teófilo,
ResponderExcluirNem precisava ser a minha história...
Passar pelos bancos escolares já seria MARA...
Bjo.