Faltando
poucos minutos para a meia noite do dia 12/10/10 começava o resgate histórico
dos mineiros soterrados 700
metros abaixo do solo desde o último cinco de agosto, no
maior acidente da espécie até então, ocorrido na mina San José, situada no deserto de Atacama no Chile.
Boa
parte do mundo estava ligada nas imagens daquele momento, na expectativa para o
sucesso do desfecho desse acidente que deixou 33 mineiros presos por 68 dias a
fio. Muito se especulava durante esse tempo sobre como seria o resgate, se os
mineiros aguentariam esperar por ele, como sairiam, se algo poderia dar errado,
dentre tantas outras aflições inerentes ao fato. As famílias aguardavam e
acompanhavam no acampamento montado no local, denominado ‘esperança’.
Içados
e trazidos de volta à tona numa cápsula simbolicamente intitulada Fênix (na
mitologia grega, um pássaro que renascia das próprias cinzas), os mineiros saídos
da mina comoveram o mundo em cenas tocantes representativas de uma mescla de fé,
amor à pátria e força familiar.
Quando
já por volta dos 10 minutos do dia 13/10/10, Florêncio Ávalos, o primeiro
deles, surgiu daquele duto, causou em todos nós, espectadores, uma emoção ímpar
e indescritível de renovação e renascimento, permeada pela sensação de que o
dom da vida é o maior dos bens dos quais podemos desfrutar.
Não
bastasse a imagem em si de alguém que volta das profundezas do obscuro, a cena também
emocionou profundamente pela reação do filho de Ávalos, o garoto Byron, que
chorava copiosamente e só queria correr de encontro aos braços do pai. Foi
humanamente impossível não se comover diante das telas.
O
considerado mais bem humorado deles, ao sair, correu em direção ao público
fazendo graça e bradando Chi Chi Chi lê lê lê num canto eufórico. Foi lindo. Contagiante.
Instigante também foi assistir ao bandeiraço realizado pelos chilenos. A
comemoração digna de cidadãos solidários. Se fosse por aqui, algum desavisado
ao ver as cenas acreditaria estarmos em plena copa do mundo. Por óbvio, é
quando nossa pátria de chuteiras se mobiliza em torno de algo parecido com
sentimento de pertencimento.
O
esporte, conforme noticiado, foi uma espécie de terapia de sobrevivência para
aqueles homens confinados à mercê de Persephone.
Lá nos mais escuros cantos desse inferno subterrâneo, toda e qualquer
estratégia tornar-se-ia fundamental para continuarem apostando na força da
vida. Foi assim que assistimos o renascimento das cinzas, qual fênix, desses 33
homens.
Poderíamos
pensar, a partir do fato ocorrido, nas condições de trabalho precárias,
inseguras e adversas que permeiam a atividade dos mineiros não somente no
Chile, mas em vários outros países, inclusive por aqui. Poucos dias depois,
acontecia algo semelhante no Equador.
Mas,
para além da tragicidade, o que vale ressaltar, porém, é a gana de vida. Essa
força que nos impulsiona à sobrevivência haja o que houver. Diz o senso comum que
muitas pessoas só passam a viver de fato e a valorizar a vida quando enfrentam
situações limites ou fazem um pequeno passeio pelo vale da sombra da morte. Não
quero pagar pra ver. Mas estou convicta de que a vida é sim um dom. Poder
acordar toda manhã e perceber que estamos RES PIRANDO já é por si só, algo a
ser comemorado. Afinal, quantos amanhecem, mas não completam o dia.
Lembrando
os poetas compositores já falecidos:
“é
preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra
pensar, na verdade não há...”
“Eu sei que a vida podia
ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita, é bonita, é bonita e
é bonita!”.




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