Está
na Constituição Federal no artigo quinto: somos livres. Isso inclui pensamento,
ação, manifestação, ir e vir e várias outras possibilidades. Graças a Deus por
isso. Houve época em que o simples manifestar de ideias levava uns e outros pro
desemprego, pra cadeia, pra Inquisição e até pra fogueira...
Voltaire,
um grande nome do Iluminismo já apregoava com propriedade: “não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas
defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la”.
Que
bom. Quem pensa sabe que o direito de pensar pertence a todos e
consequentemente, o pensar diferente do meu não é menos ou mais importante do
que penso. Simplesmente é diferente.
E
eu estava aqui justamente pensando na greve dos professores da rede particular
de Belo Horizonte, em pleno vapor. Nossa categoria profissional, já o sabemos,
é fragmentada e desunida. Infelizmente. Além de outros vários fatores, penso
que o sucateamento de nossa profissão se deve também à falta de unidade nas
ações e mobilizações da classe.
Mas
também concordamos que os professores têm o direito de pensar, agir e aderir ou
não ao movimento. É a liberdade citada acima. O que não dá para compactuar,
porém, é com a hipocrisia, essa praga que se manifesta em vários aspectos e
várias instâncias da convivência entre pessoas.
Existem
aqueles profissionais que se posicionam, reclamam, fazem muito barulho, a la
biscoito de polvilho, mas não querem se expor e botar a cara para bater. Na hora
H desconversam, fingem que não é com eles e, a despeito da luta do colega,
fazem a linha “eu fui praticamente obrigado(a)”. Tudo bem. Releva-se.
Mas
a grande hipocrisia ou incoerência que mais me incomoda é a de algumas
instituições de ensino. Está lá escrito para quem quiser ver em seus projetos
político-pedagógicos e, em alguns casos alardeados na imprensa: “nosso
compromisso é com a formação do aluno; é com a formação do CIDADÃO”.
Ora,
se fizermos uma leitura ao pé da letra, entenderemos: escola é espaço de
construção de cidadania.
Será?
Que
espaço de cidadania é esse que se recusa a abrir oportunidade ao diálogo? Que
cidadãos querem formar se seus professores são intimidados a não discutirem
sobre seus direitos básicos? Pura hipocrisia!
Óbvio
que não generalizo. Há instituições cujos líderes são os primeiros a chamarem
para os debates. Que ouvem atentamente o que seus funcionários têm a dizer.
Fico feliz quando penso que pertenço a algumas dessas. As respeito mais ainda
por isso.
Mas
há, por outro lado, aquelas que intimidam, ameaçam (velada ou escancaradamente)
os seus respeitadíssimos educadores. Pura figura de retórica; balela; o famoso
lero-lero. Alardeiam a importância da cidadania aos alunos, pais e
responsáveis, mas que seus professores não se metam a ousarem-se cidadãos.
Citando
Vitor Paro, em seu texto “Educação para a democracia”, a escola possui duas
dimensões importantes e complementares. A individual e a social. A primeira,
diz respeito ao fato de munir o aluno de capacidade de raciocínio próprio,
levando-o à construção de conhecimento, dotando-o de habilidades e competências
para seu viver bem. A segunda, a SOCIAL, nos ressalta a importância de preparar
o aluno para viver em sociedade; torná-lo mais solidário, humanitário, em suma,
um cidadão virtuoso. Aquele que cumpre seus deveres, mas exige a garantia de
seus direitos. Que respeita o outro, as diferenças entre as pessoas e mais que
isso, que aprende a conviver com elas.
Linda
a teoria. Prática distante.
Se
quisermos de fato contribuir para a construção de uma sociedade melhor, que
possamos, antes de tudo, sermos o exemplo vivo disso. Sem hipocrisias...
E
pensando aqui com meus botões em como eu gostaria que meus amados alunos sempre
lembrassem de mim, se isto for possível, é que lutem sempre pelos seus ideais,
por aquilo que acreditam. Que possam cumprir com seus deveres, mas que não
deixem que seus direitos sejam suprimidos. Fidelidade às suas convicções e
dignidade acima de tudo!




Resumiu muito bem a nossa discussão da penultima aula. Parabéns pelo blog professora.
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