Nos últimos dias, alguns assuntos chamaram a atenção de muita gente por aqui nesta nossa “nação”, sé é que podemos assim denominar este país. Para sabermos hoje até que ponto este ou aquele assunto foi ou é de interesse geral, basta uma olhada breve nos Trending Topics do twitter, leia-se, assuntos mais comentados pelos internautas da não menos badalada rede social. Coisas do século XXI.
Pois bem, dentre os tais assuntos mais em voga, vimos o perrengue entre os irmãos da famosa dupla sertaneja, a repórter que foi derrubada em pleno momento da notícia ao vivo e a pauta mais comentada dos últimos quatro dias: o câncer do ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva.
Entretanto, para além dos fatos em si, a mim, o que mais chamou a atenção, foi a forma com que as pessoas passaram a tratar tais assuntos, sobretudo, a doença que acometeu o ex-presidente. Para a indignação de alguns outros, inclusive a minha, as pessoas abordaram o caso com desdém, minimamente, e desrespeito ao ser humano em última instância.
A campanha disseminada nas redes sociais conclamava: “presidente, vá se tratar de câncer no SUS”; e não menos importante, a chamada também dizia: “e quem curtir, compartilhe este link”.
CAMPANHA!
LULA, FAÇA O TRATAMENTO PELO SUS!
LULA, FAÇA O TRATAMENTO PELO SUS!
Compartilhem galera!
Tudo bem, não precisa ser petista e nem gostar da figura pública em questão. Pode-se mesmo execrar o político Luis Inácio e seus oito anos de governo à frente do Executivo Federal. A liberdade de expressão, nunca é demais lembrar, continua sendo direito constitucionalmente garantido. Sob esse mesmo aspecto, também podemos quase todos, senão todos mesmo, concordar que a rede de saúde pública no Brasil padece do mal de descaso das autoridades públicas há séculos e praticamente sangra, proliferando metástases que nos parecem incuráveis. Utilizando o jargão médico, poderíamos dizer que tal descaso é uma patologia congênita, recorrente, reincidente e crônica no Brasil.
Mas esta epidemia não poderia se transvestir de justificativa para a chacota com que a gravidade da doença de Lula tem sido tratada. O que fizemos de nós? Um bando de robôs disseminando campanhas online sem sequer pensar no teor do que estamos propagando? Ou será que perdemos a nossa capacidade de solidarizar com o próximo? Chegamos ao auge do egocentrismo desvairado onde a figura do outro não mais interessa? O que estamos fazendo aqui? Será que está deflagrado o processo de reversão irremediável da teoria da evolução? Para onde estamos “avançando”? Será que o humanitarismo entrou no rol de palavras que caíram em desuso de vez?
Confesso que me entristeci com o que vi/li a respeito. Não apenas pela doença grave que faz mais uma de suas vítimas. Mas pela escancarada e evidente falta de solidariedade e aquiescência com os males do próximo. Não estamos nem aí para o sofrimento alheio. Nos e-mails e mensagens destinadas à parte da mídia impressa, lia-se: “o Lula não disse que a saúde era boa no país e que ele gostaria de se internar em hospital público? Pois é. Então agora, se for homem, vai tratar seu câncer no SUS”.
No mesmo bojo da achincalhada campanha, o assunto corrupção apareceu em algumas mensagens: “corrupto tem que se danar”; “agora seria bom se ele experimentasse a praga da saúde pública do Brasil”.
Pensei no significado da palavra corrupção...
Corromper se traduz em transgredir; perverter. Perversão, por sua vez, significa fazer algo contrário às leis da natureza e da vida moral, transformar o bem em mal. Assim, no final das contas, quem corrompe quem? Estamos fadados à corrupção social, além da política? Qual vem primeiro? Sei lá. Mas lembrando Montesquieu, “a corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”.
Princípios? Alguém se lembra do que se trata isso? Creio mesmo é que estamos mais pros finais....



Sensacional Sirlene... não sei se vc se lembra, mas não gosto de concordar 100 por cento em nada, mas esse seu texto eu concordo com 100 por cento.
ResponderExcluirInfelizmente, a cultura da morte, do ódio e do preconceito gratuido ,não foi extirpado da sociedade. Há quem torce mais pelo fracasso do outro, do que pelo seu próprio sucesso.
ResponderExcluirO animal selvagem, só mata sua vítima para sobreviver,enquanto muitos humanos vivem para matar, ou no minimo desejar a morte de alguem.A estes que assim pensam desejo vida longa para que tenham tempo para refletir e não distorcer o que são: Imagem e Semelhança de Deus. Parabéns Sirlene
Sinto-me lisonjeadíssima por isso....rs...bjo Vilaça!
ResponderExcluirObrigada Ailton.
ResponderExcluirAbraço.
"A liberdade de expressão, nunca é demais lembrar, continua sendo direito constitucionalmente garantido." - Direito esse, que depois da disseminação nas redes sociais, principalmente no Brasil, vem sendo cada vez mais bem recebido pelo público, talvez até "bem" demais. A Internet é um dos únicos espaços em que as pessoas se sentem livres o suficiente para dizer aquilo o que bem entendem, sem pensar duas vezes e muito menos no que aquilo pode trazer ao outro. Mas esse excesso de liberdade também cria um ódio, uma raiva excessiva, e aliada à vontade de "revolucionar" através das redes sociais que as pessoas vem apresentando ultimamente, surgem campanhas como essa. Isso só mostra como somos falsos com nós mesmos, ninguém diz que não importa com o "outro", mas quando têm alguma liberdade, acabam criando campanhas desse tipo, até mesmo sem perceber que estão quebrando princípios que dizem ter. Mente vazia, oficina do Diabo. É o que eu acho que ocorreu nessa ocasião.
ResponderExcluirVocê José, como sempre, me surpreendendo...
ResponderExcluirObrigada pelo post.