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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

No som do silêncio, uma lição de amor à vida...


Dia 09 de novembro, lá estava ela mais que pontualmente às 19h: Amanda Alether, 16 anos, sua síndrome de leigh, sua cadeira de rodas, seu inseparável notebook, sua palestra e seu silêncio cheio das ondas sonoras da emoção.


Foi convidada a palestrar para alunos do curso de Pedagogia da Universo/BH sobre a inserção dos deficientes físicos na escola regular e os respectivos desafios enfrentados. Pensávamos que ela contribuiria para os futuros pedagogos pensarem e traçarem estratégias para o necessário mecanismo de inclusão educacional e seus desdobramentos e co-relações com a cidadania. Importava o aspecto cognitivo, a princípio. Afinal, era a semana da Pedagogia.
Mas de certa forma, fomos frustrados na expectativa: ela não falaria de escola, de desafios, obstáculos ou teorias que levassem ao conhecimento intelectual. Resolveu dizer, mesmo sem pronunciar palavra alguma, sobre a vida. Sim, a vida! Essa mesma para a qual muitos não dão importância.
Ela empolgaria toda uma platéia de educandos e educadores que assistiram num misto de admiração, espanto e emoção uma garota cadeirante, que não fala, dedilhar seus dedos sobre o teclado do computador e nos comunicar com toda simplicidade do planeta através do data show que ela não estava ali pra falar de problemas e desafios. Ela estava ali pra falar de sonhos, de bom humor, de alegria, de família, de amor, de expectativas de futuro, da essência da vida...


Pensava-se que ela exibiria vídeos ilustrativos dos obstáculos físicos, os quais, sabemos, tanto dificultam a vida dos deficientes em geral neste país, que, diga-se de passagem, tem muito de ignorância e desrespeito ao direito do outro. Mas não. Ousada, inventou de passar o vídeo de sua festa de 15 anos linda a bailar juntamente com o seu amado pai. As cenas, que retratavam bolos, doces, vestidos de festa, dança, amigos e família eram entrecortadas pelas palavras: sonhe, sonhe, sonhe, até que se realize...


Que show! Show de bola; show de vida.
De pensar que alguns que ali estavam e chegaram ANDANDO por suas próprias pernas provavelmente reclamavam por ter que subir até no distante auditório para ver palestra. Quantos devem ter reclamado do ônibus; do trânsito; do chefe; do dia corrido; do salgado da esquina que nem estava tão bom assim. E ela lá. Sempre com seus fiéis escudeiros e guerreiros pais, que a carregam pra cima e pra baixo com um sempre sorriso estampado no rosto. Que prazer e que orgulho em tê-la conhecido Amanda. Foi e é, sem dúvida, um grande privilégio poder conviver com você. Obrigada por isso e pelas demais lições que você, aluna, dá cotidianamente a seus mestres...
Pus-me a pensar mais sistematicamente de lá pra cá: quem ensina o quê a quem? 


11 comentários:

  1. A Amanda é um suspiro de vida,que faz muita gente parar e vê-la,uma menina linda,mas que não abate com tantas dificuldades.E sim nos ensina a levantar os olhos para os céus e agradecer a Deus por tanta glória que a cada dia nos dá....

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  2. A Amanda realmente nos ensinou/ensina muitas coisas. Me lembro de vários momentos dela no colégio e do amor demonstrado pelos seus familiares no dia a dia. Ela realmente é uma guerreira! Adorei o texto Sisi e foi muito bom para que eu refletisse sobre a vida e como eu reclamo de tantas coisas bobas todos os dias...
    E mais uma vez, parabéns pelo blog!

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  3. Amanda, Amanda, Amanda. Embora eu redija este comentário como anônimo, tenho a certeza de que quando ela, a homenageada, ler saberá quem sou. Desde de que conheci a Amanda, e isso já faz algum tempinho, reparo que ela nunca deixa que a sua limitação a impessa de ser alguém que faz a diferença na vida de cada um. Jamais queixando-se de qualquer problema, a cada dia ela busca ser alguém melhor. Amanda assim como você eu posso dizer não basta ver o problema para saber como é complicado. As pessoas tem que viver o problema para saber como é duro, e ai sim dar valor as pequenas coisas. Parabéns Amanda por ser uma pessoas tão humana, e que soube dar a volta por cima da melhor maneira. Assim, a cada dia mais afirmo que normal é ser diferente.

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  4. Parabéns, Amanda (Amandita - doce como o chocolate), pelo impecável trabalho que renova, revigora e nos leva a celebrar os pequenos e grandes momentos e situações a que temos direito.

    Parabéns, Si, por nos proporcionar a expressão, em palavras, de sentimentos tão nobres.

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  5. kkkkk Acho que fiz algo errado, pra variar. Postei como ANÔNIMO, mas sou a Liliana.

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  6. Sirlene.
    Sou o Ailton, pai da Ana Luiza e da Natália.
    Lindo este momento que a Amanda nos proporcionou, mas também não posso me furtar em dizer que nada disso teria acontecido sem a sua iniciativa. Força amiga para continuar se enacantando com momentos como estes.A vida é breve mas a espera é longa. Mas vamos continuar esperando pois a vida sempre nos reserva surpresas agradaveis, pois se alguns nos decepcionam, outros nos renovam.Ainda bem que existem pessos cmo a Amanda e voce para nos dizer que sempre vale a pena sonhar. Abraços

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  7. Obrigada amigos pelos comentários. Mas essa garota é mesmo porreta! Não podia me furtar de dizer a ela que ELA é a professora de muitos de nós...

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  8. A propósito, Vinicius, o objetivo maior era a homenagem à Amanda. Mas em segundo lugar, quero exatamente provocar a reflexão de como a gente reclama de coisas pequenas....bjo.

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  9. Homenagem merecida!!! Uma grande lição de vida...

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  10. Sirlene,
    como sempre, belo trabalho, bela iniciativa!
    Amanda só tem um defeitinho...
    Torce para o Cruzeiro!!
    "A chefa"

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