Dia 09 de novembro, lá estava ela
mais que pontualmente às 19h: Amanda Alether, 16 anos, sua síndrome de leigh,
sua cadeira de rodas, seu inseparável notebook, sua palestra e seu silêncio
cheio das ondas sonoras da emoção.
Foi convidada a palestrar para
alunos do curso de Pedagogia da Universo/BH sobre a inserção dos deficientes
físicos na escola regular e os respectivos desafios enfrentados. Pensávamos que
ela contribuiria para os futuros pedagogos pensarem e traçarem estratégias para
o necessário mecanismo de inclusão educacional e seus desdobramentos e
co-relações com a cidadania. Importava o aspecto cognitivo, a princípio.
Afinal, era a semana da Pedagogia.
Mas de certa forma, fomos
frustrados na expectativa: ela não falaria de escola, de desafios, obstáculos
ou teorias que levassem ao conhecimento intelectual. Resolveu dizer, mesmo sem
pronunciar palavra alguma, sobre a vida. Sim, a vida! Essa mesma para a qual
muitos não dão importância.
Ela empolgaria toda uma platéia
de educandos e educadores que assistiram num misto de admiração, espanto e
emoção uma garota cadeirante, que não fala,
dedilhar seus dedos sobre o teclado do computador e nos comunicar com toda
simplicidade do planeta através do data
show que ela não estava ali pra falar de problemas e desafios. Ela estava
ali pra falar de sonhos, de bom humor, de alegria, de família, de amor, de
expectativas de futuro, da essência da vida...
Pensava-se que ela exibiria
vídeos ilustrativos dos obstáculos físicos, os quais, sabemos, tanto dificultam
a vida dos deficientes em geral neste país, que, diga-se de passagem, tem muito
de ignorância e desrespeito ao direito do outro. Mas não. Ousada, inventou de
passar o vídeo de sua festa de 15 anos linda a bailar juntamente com o seu
amado pai. As cenas, que retratavam bolos, doces, vestidos de festa, dança,
amigos e família eram entrecortadas pelas palavras: sonhe, sonhe, sonhe, até que se realize...
Que show! Show de bola; show de vida.
De pensar que alguns que ali estavam
e chegaram ANDANDO por suas próprias pernas provavelmente reclamavam por ter
que subir até no distante auditório para ver palestra. Quantos devem ter
reclamado do ônibus; do trânsito; do chefe; do dia corrido; do salgado da
esquina que nem estava tão bom assim. E ela lá. Sempre com seus fiéis
escudeiros e guerreiros pais, que a carregam pra cima e pra baixo com um sempre
sorriso estampado no rosto. Que prazer e que orgulho em tê-la conhecido Amanda.
Foi e é, sem dúvida, um grande privilégio poder conviver com você. Obrigada por
isso e pelas demais lições que você, aluna, dá cotidianamente a seus mestres...
Pus-me a pensar mais
sistematicamente de lá pra cá: quem ensina o quê a quem?




A Amanda é um suspiro de vida,que faz muita gente parar e vê-la,uma menina linda,mas que não abate com tantas dificuldades.E sim nos ensina a levantar os olhos para os céus e agradecer a Deus por tanta glória que a cada dia nos dá....
ResponderExcluirA Amanda realmente nos ensinou/ensina muitas coisas. Me lembro de vários momentos dela no colégio e do amor demonstrado pelos seus familiares no dia a dia. Ela realmente é uma guerreira! Adorei o texto Sisi e foi muito bom para que eu refletisse sobre a vida e como eu reclamo de tantas coisas bobas todos os dias...
ResponderExcluirE mais uma vez, parabéns pelo blog!
Amanda, Amanda, Amanda. Embora eu redija este comentário como anônimo, tenho a certeza de que quando ela, a homenageada, ler saberá quem sou. Desde de que conheci a Amanda, e isso já faz algum tempinho, reparo que ela nunca deixa que a sua limitação a impessa de ser alguém que faz a diferença na vida de cada um. Jamais queixando-se de qualquer problema, a cada dia ela busca ser alguém melhor. Amanda assim como você eu posso dizer não basta ver o problema para saber como é complicado. As pessoas tem que viver o problema para saber como é duro, e ai sim dar valor as pequenas coisas. Parabéns Amanda por ser uma pessoas tão humana, e que soube dar a volta por cima da melhor maneira. Assim, a cada dia mais afirmo que normal é ser diferente.
ResponderExcluirParabéns, Amanda (Amandita - doce como o chocolate), pelo impecável trabalho que renova, revigora e nos leva a celebrar os pequenos e grandes momentos e situações a que temos direito.
ResponderExcluirParabéns, Si, por nos proporcionar a expressão, em palavras, de sentimentos tão nobres.
kkkkk Acho que fiz algo errado, pra variar. Postei como ANÔNIMO, mas sou a Liliana.
ResponderExcluirSensacional...
ResponderExcluirSirlene.
ResponderExcluirSou o Ailton, pai da Ana Luiza e da Natália.
Lindo este momento que a Amanda nos proporcionou, mas também não posso me furtar em dizer que nada disso teria acontecido sem a sua iniciativa. Força amiga para continuar se enacantando com momentos como estes.A vida é breve mas a espera é longa. Mas vamos continuar esperando pois a vida sempre nos reserva surpresas agradaveis, pois se alguns nos decepcionam, outros nos renovam.Ainda bem que existem pessos cmo a Amanda e voce para nos dizer que sempre vale a pena sonhar. Abraços
Obrigada amigos pelos comentários. Mas essa garota é mesmo porreta! Não podia me furtar de dizer a ela que ELA é a professora de muitos de nós...
ResponderExcluirA propósito, Vinicius, o objetivo maior era a homenagem à Amanda. Mas em segundo lugar, quero exatamente provocar a reflexão de como a gente reclama de coisas pequenas....bjo.
ResponderExcluirHomenagem merecida!!! Uma grande lição de vida...
ResponderExcluirSirlene,
ResponderExcluircomo sempre, belo trabalho, bela iniciativa!
Amanda só tem um defeitinho...
Torce para o Cruzeiro!!
"A chefa"