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domingo, 11 de agosto de 2013

Missão de vida: ser pai!

O “Luizo” como eu carinhosamente o chamava muitas vezes, estreou na vida no ano de 1942. (Um dia ele chegou e disparou: por que c anda me chamando de Luizo? Tá com raiva do velho e não gosta mais de chamá-lo de pai?)
Menino, lá em Viçosa, filho da dona Maria, professora respeitada. Ela não podia dar dinheiro pros cinco filhos sempre que pediam, então, o menino Izo fez uma combinação com o doutor da cidade: eu procuro sapo nos brejos pro senhor fazer suas experiências, em troca de um dinheirinho pra comprar minhas coisas, pelo menos uma vez por semana. (1ª lição que meu pai me ensinou, creio que quando eu ainda estava aprendendo a ler: trabalhe pra não depender de ninguém, mas ninguém mesmo).


Vieram pra BH pelos idos dos anos 50... ela veio antes com o Izo pra conhecerem a cidade e talvez sentirem o que seria a vida nova... Dona Maria tinha dito para o meu vô Joaquim: escuta homem, se você continuar na jogatina, vou-me embora daqui antes que você perca o resto que tem e aposte meus filhos na mesa do bar!
Não deu outra; não sei se porque ele não dera ouvidos à “ameaça” da mulher, ou se o vício falava mais forte naquela altura de sua vida... (2ª lição que meu pai, contando a história de sua mãe, me deu: os filhos são mais importantes que tudo na vida. DETALHE: isso ele me mostrou em todos os anos que convivi com ele).

Seu Aloizio e minha mãe ficaram casados uns 11 anos. No dia em que ele saiu de casa, meu mundo caiu literalmente e já neste dia, eu com meus 10 anos de idade, constatei pela primeira vez na vida: não vou conseguir viver sem meu pai perto de mim...
Mas ele, sábio, antes de pegar as malas e entrar no seu fusca, me pegou pelo braço, me encarou e disse: brega, eu nunca vou ficar longe de você; pode me esperar todo santo domingo pra gente passear ouviu bem?



Ouvi, acreditei e de certa forma, aquelas palavras acalmaram meu coração de criança... E até que eu me tornasse adulta e casada, todo santo final de semana meu pai me levou pro clube, pro parque, pra casa dos tios, dos amigos ou qualquer outro lugar que desse pra ficarmos juntos e felizes... (3ª e 4ª lições de uma vez só: seja fiel à sua palavra... se falou pra criança que vai fazer, faça! Outra: seja sempre presente na vida de seus filhos... se esta presença vai ser diária, semanal, mensal ou anual, que de fato SEJA... A presença de um pai na vida de um filho é extremamente importante... não sei o porquê e/ou como a psicologia explica, mas minha intuição ou experiência, sei lá, me diz que é fundamental pra desenvolver segurança, senso de proteção pras crianças e a certeza de que somos importantes e amados...




A 5ª lição: dê afeto, carinho e amor incondicional para seu filho!!! Esta já foi citada sem o exemplo correspondente porque eu teria que citar todos os meus 39 anos de vida que tive meu pai comigo. Não teve sequer um único momento enquanto ele viveu que não tenha havido carinho, afeto e amor demonstrados por mim. Lembro de meu pai parando a rodoviária, na frente do ônibus em que eu estava, saindo pra viajar em lua de mel, dizendo: filha eu te amo, conta comigo pra tudo em sua vida, vou estar aqui quando você chegar, você á e melhor coisa que me aconteceu nesta vida, etc etc etc e o motorista durão achando ruim daquele blá blá blá todo atrasando a partida, mas com lágrima no olho procurando quem seria a filha passageira daquele maluco...
Esses momentos eram emocionantes, mas às vezes engraçados... No dia da minha aprovação no mestrado, enquanto a orientadora lia aquela ata concluindo pela aprovação, ele chorava horrores, olhava pros lados e dizia pra quem nunca tinha visto: é minha filha!!! Também chorando, abraçou todos os componentes da banca e perguntou a cada um: o senhor sabia que ela é minha filha? Inteligente né? Pois é... rs...




A última lição que ele deixou pra mim, é difícil dizer: pelo dia de hoje e por lembrar os últimos dias em que ele esteve por aqui: viva com alegria, sempre de bom humor e acima de tudo, ame muito viver!!!

Sem dúvida nenhuma, minha maior admiração pelo meu pai veio daí: da maneira pela qual ele encarava a vida. Estava sempre de sorriso aberto, fazendo graça de tudo, imitando personagens humorísticos da TV. Ele tinha sido ator e cantor. E assim, cantando, sorrindo, representando e amando, ele sempre alegrou aos que estavam mais próximos dele. Isso foi a vida inteira... Já nas vésperas de sua partida, quando ele tinha uma pequena melhora, dizia: tá vendo, brega, eu vou ficar bom... Sabe por quê? Viver é “bãodimais”!!!
Ele dava tanto valor à alegria, que, inteligentemente, quando abria os olhos, me encarava e dizia: ahhh, seu sorriso me faz tão bem?! Obviamente, ele não me queria chorosa...

E o mais incrível e inacreditável no meu pai: quando percebeu que não continuaria mais por aqui, me olhou e disse enfático, mas com aquela carinha de satisfação que eu conhecia bem: filha, não se preocupe, Jesus vai me levar sorrindo... E assim ele se foi... lindo e todo sorriso... Isso é a cara dele.






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Paizão, só depois deste último e eterno sorriso, conheci verdadeiramente o significado da palavra saudade.... te amo desde sempre, como sempre e para sempre....e o bom é que você sabe...e eu sei que você sabe...

OBS: para os intrigados, BREGA neste contexto não tem conotação pejorativa... é abreviatura de XUMBREGA... :)


4 comentários:

  1. Coisa mais linda. Imagina se chorei... Bjus Si. Re Parreiras

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    1. Querida Renata, eu, assim como meu paizão, choro até em inauguração de sacolão... rs...
      Obrigada por ler e claro, pelo carinho... é muito bom poder compartilhar esta historinha no dia de hoje com alguém... bjaço!

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  2. Lindo Sisi! Você arrasa e por tudo que sempre vi você dizer, seu pai merece todo esse amor! Bjs bjs :)

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    1. Oi Isa... obrigada... E quanto a meu paizão, ele merece que eu escrevesse algo pra ele todo santo dia... ai ai.. Bjo e valeu pelo carinho!

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