O “Luizo” como eu carinhosamente o chamava muitas
vezes, estreou na vida no ano de 1942. (Um dia ele chegou e disparou: por que c
anda me chamando de Luizo? Tá com raiva do velho e não gosta mais de chamá-lo
de pai?)
Menino, lá em Viçosa, filho da dona Maria,
professora respeitada. Ela não podia dar dinheiro pros cinco filhos sempre que
pediam, então, o menino Izo fez uma combinação com o doutor da cidade: eu procuro
sapo nos brejos pro senhor fazer suas experiências, em troca de um dinheirinho
pra comprar minhas coisas, pelo menos uma vez por semana. (1ª lição que meu pai
me ensinou, creio que quando eu ainda estava aprendendo a ler: trabalhe pra não depender de ninguém,
mas ninguém mesmo).
Vieram pra BH pelos idos dos anos 50... ela veio antes
com o Izo pra conhecerem a cidade e talvez sentirem o que seria a vida nova...
Dona Maria tinha dito para o meu vô Joaquim: escuta homem, se você continuar na
jogatina, vou-me embora daqui antes que você perca o resto que tem e aposte meus
filhos na mesa do bar!
Não deu outra; não sei se porque ele não dera
ouvidos à “ameaça” da mulher, ou se o vício falava mais forte naquela altura de
sua vida... (2ª lição que meu pai, contando a história de sua mãe, me deu: os filhos são mais importantes que tudo na
vida. DETALHE: isso ele me mostrou em todos os anos que convivi com ele).
Seu Aloizio e minha mãe ficaram casados uns 11
anos. No dia em que ele saiu de casa, meu mundo caiu literalmente e já neste
dia, eu com meus 10 anos de idade, constatei pela primeira vez na vida: não vou
conseguir viver sem meu pai perto de mim...
Mas ele, sábio, antes de pegar as malas e entrar no
seu fusca, me pegou pelo braço, me encarou e disse: brega, eu nunca vou ficar
longe de você; pode me esperar todo santo domingo pra gente passear ouviu bem?
Ouvi, acreditei e de certa forma, aquelas palavras
acalmaram meu coração de criança... E até que eu me tornasse adulta e casada,
todo santo final de semana meu pai me levou pro clube, pro parque, pra casa dos
tios, dos amigos ou qualquer outro lugar que desse pra ficarmos juntos e
felizes... (3ª e 4ª lições de uma vez só: seja
fiel à sua palavra... se falou pra criança que vai fazer, faça! Outra: seja sempre presente na vida de seus filhos...
se esta presença vai ser diária, semanal, mensal ou anual, que de fato SEJA... A
presença de um pai na vida de um filho é extremamente importante... não sei o porquê
e/ou como a psicologia explica, mas minha intuição ou experiência, sei lá, me
diz que é fundamental pra desenvolver segurança, senso de proteção pras
crianças e a certeza de que somos importantes e amados...
A 5ª lição: dê
afeto, carinho e amor incondicional para seu filho!!! Esta já foi citada
sem o exemplo correspondente porque eu teria que citar todos os meus 39 anos de
vida que tive meu pai comigo. Não teve sequer um único momento enquanto ele
viveu que não tenha havido carinho, afeto e amor demonstrados por mim. Lembro
de meu pai parando a rodoviária, na frente do ônibus em que eu estava, saindo
pra viajar em lua de mel, dizendo: filha eu te amo, conta comigo pra tudo em
sua vida, vou estar aqui quando você chegar, você á e melhor coisa que me
aconteceu nesta vida, etc etc etc e o motorista durão achando ruim daquele blá
blá blá todo atrasando a partida, mas com lágrima no olho procurando quem seria
a filha passageira daquele maluco...
Esses momentos eram emocionantes, mas às vezes engraçados...
No dia da minha aprovação no mestrado, enquanto a orientadora lia aquela ata
concluindo pela aprovação, ele chorava horrores, olhava pros lados e dizia pra
quem nunca tinha visto: é minha filha!!! Também chorando, abraçou todos os
componentes da banca e perguntou a cada um: o senhor sabia que ela é minha
filha? Inteligente né? Pois é... rs...
A última lição que ele deixou pra mim, é difícil
dizer: pelo dia de hoje e por lembrar os últimos dias em que ele esteve por
aqui: viva com alegria, sempre de bom
humor e acima de tudo, ame muito viver!!!
Sem dúvida nenhuma, minha maior admiração pelo meu
pai veio daí: da maneira pela qual ele encarava a vida. Estava sempre de
sorriso aberto, fazendo graça de tudo, imitando personagens humorísticos da TV.
Ele tinha sido ator e cantor. E assim, cantando, sorrindo, representando e
amando, ele sempre alegrou aos que estavam mais próximos dele. Isso foi a vida
inteira... Já nas vésperas de sua partida, quando ele tinha uma pequena
melhora, dizia: tá vendo, brega, eu vou ficar bom... Sabe por quê? Viver é “bãodimais”!!!
Ele dava tanto valor à alegria, que,
inteligentemente, quando abria os olhos, me encarava e dizia: ahhh, seu sorriso
me faz tão bem?! Obviamente, ele não me queria chorosa...
E o mais incrível e inacreditável no meu pai:
quando percebeu que não continuaria mais por aqui, me olhou e disse enfático,
mas com aquela carinha de satisfação que eu conhecia bem: filha, não se
preocupe, Jesus vai me levar sorrindo... E assim ele se foi... lindo e todo
sorriso... Isso é a cara dele.
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Paizão, só depois deste último e eterno sorriso, conheci
verdadeiramente o significado da palavra saudade.... te amo desde sempre, como
sempre e para sempre....e o bom é que você sabe...e eu sei que você sabe...
OBS: para os intrigados, BREGA neste contexto não
tem conotação pejorativa... é abreviatura de XUMBREGA... :)





Coisa mais linda. Imagina se chorei... Bjus Si. Re Parreiras
ResponderExcluirQuerida Renata, eu, assim como meu paizão, choro até em inauguração de sacolão... rs...
ExcluirObrigada por ler e claro, pelo carinho... é muito bom poder compartilhar esta historinha no dia de hoje com alguém... bjaço!
Lindo Sisi! Você arrasa e por tudo que sempre vi você dizer, seu pai merece todo esse amor! Bjs bjs :)
ResponderExcluirOi Isa... obrigada... E quanto a meu paizão, ele merece que eu escrevesse algo pra ele todo santo dia... ai ai.. Bjo e valeu pelo carinho!
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