Rede Social

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A mulher aqui e agora: o que fizeram/fazemos de nós

Noticiaram outro dia que as mulheres começam a fumar mais cedo que os homens. Naturalmente, as consequências deste hábito não são positivas: já o sabemos. Mas também não acompanhava a notícia nenhuma espécie de explicação para a estatística. Fato é que tem sempre alguém conjecturando sobre as prováveis relações de causalidade e consequências.

Entretanto, a leitura desta reportagem levou-me à reflexão acerca da condição feminina na sociedade em que estamos inseridas. Vivemos inúmeros papeis: esposa/ mãe/ cuidadora/ tutora. Na cultura ocidental cristã, coube à mulher o exercício destas funções. Historicamente construídas, muitas de nós as compreenderam e as assimilaram – algumas com esforço e dores maiores que outras – e entenderam que assim as coisas devem funcionar.

A vida moderna, porém, trouxe novos papeis em seu bojo, dentre os quais, o de provedora. Um, a cada três lares no Brasil, tem a mulher como a principal responsável pelo sustento familiar. O resultado, por conseguinte, foi o acúmulo de tarefas em torno da figura feminina. Além de cuidar da casa, filhos, parceiros, pais, mães e tudo que possa vir neste kit tamanho gg, ingressamos no mercado de trabalho e ganhamos, em decorrência, jornadas duplas e triplas de funções, propiciadoras do aumento dos níveis de intenso stress


Acrescente-se a isso o fato de que precisamos estar bonitas, bem tratadas e cuidadas para minimamente manter a auto-estima em níveis razoáveis e não deixar a peteca cair. Afinal, a não satisfação com a aparência pessoal, neste denso contexto, só contribui para elevar o stress já citado.

São tantos roteiros a seguir.... Haja script!

Não bastassem tais questões, ainda assistimos cotidianamente, nos últimos tempos, a escalada rumo ao aumento da violência doméstica. Num histórico de submissão e humilhação, em pleno 2010, vislumbramos a uma espécie de retrocesso, com o crescimento do número de mulheres agredidas, violentadas e assassinadas por seus companheiros, na maior parte dos casos. E isso, em plena era da Lei Maria da Penha.

Eis, resumidamente, a nossa transcendente condição de mulher nos moldes atuais. Há opções, evidentemente. Podemos não exercer nenhum papel que historicamente nos foi atribuído. Podemos também não execrar esta multifuncionalidade adquirida. Ao contrário, há quem goste e a exerça com profundo brilhantismo.

Quanto a mim, quero ser livre! Quero eu mesma escolher de fato os papeis nos quais eu quero atuar. Como não viemos ao mundo com manual de instrução acoplado, quero eu mesma acionar os mecanismos de funcionamento da máquina da minha vida. Sem programação prévia de terceiros. Tenho certeza: quando Deus me desenhou, projetou alguém para ser feliz em plenitude. Não estou aqui de bobeira ou de passagem. Liberdade é o instinto que me guia.

Resta-me a dúvida sobre os amplos significados de ser free. Uma certeza: minha alma canta. Seu tom é reflexo das notas musicais de minha mente. Esta, ao menos por enquanto, não funciona sob crivo e controle de ninguém. Não ao que eu saiba....

Um comentário:

  1. Muito bom o texto. Seria bom q quando comemoramos o dia internacional da mulher, muitas tenham essa consciência. Abraços, parabéns pelas conquistas.

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