Essa pergunta foi tema da redação de vestibular há alguns anos atrás. Não me recordo agora de qual instituição. Na época, nós, os professores, recebemos inúmeros comunicados acerca das aberrações que apareceram no texto sugerido pelos avaliadores. Soou tão cômica a questão, se não fosse trágica, que a partir de então, criou-se o rótulo de pérolas dos vestibulandos, vez por outra divulgados em vários canais de comunicação.
Curiosamente, a ignorância dos alunos, que muitas vezes reflete o baixo nível da própria Educação no país, virou motivo de chacotas variadas. Achamos graça da própria desgraça. Tá certo que não devemos perder a capacidade de sorrir diante das dificuldades. Não fosse essa nossa capacidade e jogo de cintura diante das adversidades, poderíamos ter sucumbido de vez perante as inúmeras mazelas sociais pelas quais nosso país sempre atravessou.
Mas de volta ao tema em si sugerido naquela redação, me pego a pensar se essa não deveria ser uma reflexão cotidiana de todos nós.
Dia desses, num debate promovido em sala de aula, onde estavam em pauta os percalços da cidadania no Brasil, um estudante bastante participativo teceu graves acusações contra o governo X. Mediante a minha pergunta sobre sua fundamentação e seus necessários embasamentos teóricos, a resposta certeira e imediata foi: “vi no Jornal Nacional”.
Tudo bem. Sabemos que a TV possui uma função pedagógica para milhões de brasileiros que nunca foram à escola. Mas também sabemos o tanto que essa questão é complicada, haja vista os interesses subjacentes às mídias em geral.
Até onde me lembro, das inúmeras teorias estudadas, o papel dos veículos de comunicação seria o de informar. Obviamente, não vou querer traçar aqui um tratado da imparcialidade. Não somos imparciais. Falamos e possuímos ideologias de acordo com o lugar social a que pertencemos. Poucos conseguem falar de um lugar que não é o seu. Entretanto, penso que uma mídia transparente e ética deve buscar chegar mais perto possível da equidade.
Mas o que assistimos cotidianamente é, na verdade, a formação, ao invés da informação. Formação de consciências inconscientes. Mais do que isso, acredito mesmo que o que tenho assistido e lido por aí tem mais a ver com a deformação. Distorcem fatos sem a menor condescendência e os apresentam como a verdade irrefutável dos fatos. E assim vamos bebendo dessas fontes e as absorvendo...
Deturpações à parte, sonho com um país de cidadãos pensantes e reflexivos. Que possamos todos adquirir filtro perante o que nos é transmitido. Quem sabe um dia?! Utopia? Pode ser. Mas endosso Paulo Freire: “Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes”.




Eu lembro desse texto, se nao me engano eu estava no segundo ano, e a redaçao foi solicitada aos vestibulandos, sem ainda ter ideia que seria tema no vestibular... quando caiu todo mundo, ou a maioria tinha se saído bem pois ja havia desenvolvido o tema... foi algo assim num foi sirlene?
ResponderExcluirFiquei saudoso ao ler esse post e poder ler de outra maneira o assunto tratado... é bom ver a própria evolução... Valeu por proporcionar isso Sisi..
Bjs
Oi Teófilooo
ResponderExcluirMuito legal vc se lembrar...mas acho q solicitei esse texto pra vcs após o fiasco citado acima...rs
E claro, hoje vc tem bala na agulha para compreender num nível acima. Continue participando.
Bjoooo
Muito bom o texto e a citação d Paulo Freire muito oportuno. Compartilho desta ideia.
ResponderExcluirÉ uma pena q ainda hoje os alunos não entendam q não existem verdades absolutas, q é preciso ler diversos pensamentos sobre o mesmo assunto e escolher o q mais se adequa ao seu universo.
Abraços
Valeu!
ResponderExcluirO que vc disse é real. Mas se os educadores pelo menos tentarem chamar pra si essa responsabilidade, quem sabe um dia não muda né?
Abraços.
Não existem informações imparciais, infelizmente...
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